Opinião
Greve de amor ao próximo
Necessário se faz ouvir o clamor dos injustiçados, o grito dos oprimidos, o apelo dos discriminados. Necessário se faz criar leis justas, regramentos sociais e econômicos adequados, que contemplem e beneficiem a todos e não apenas a uma minoria privilegiada e sugadora dos demais. Necessário se faz um governo decente, ético, que cumpra e faça cumprir as leis. Necessário se faz que todos honrem as autoridades constituídas e obedeçam às leis. Necessário se faz, para o bem de todos, que cada um cumpra seu dever, realize seu trabalho com empenho, honestidade e ética. Necessário se faz, ao se pleitear direitos, que se tenha sempre em conta o direito dos outros, especialmente naquilo que é básico, fundamental, para a vida, a dignidade e a honra. Todas estas questões estão na pauta do amor ao próximo, não só como mandamento de Deus, mas como única possibilidade de sobrevivência e de construção de uma sociedade justa, com vida digna para todos. É sob essa linha de pensamento que me atrevo a fazer uma análise a respeito das greves. Entendo, sim, a greve como um instrumento de reivindicação quando todas as outras formas legais de chamar a atenção para uma carência, para uma situação injusta, para um problema social, se esgotaram, ou não surtiram efeito. A greve como último recurso. Mas, mesmo sendo ela um instrumento legal e de direito, convém analisar se sua realização, ou a forma como é conduzida, não agride de forma drástica o direito de outros, gerando caos social e causando riscos à dignidade, à honra, à vida e à liberdade. Porque em isso acontecendo, estamos entrando na greve de amor ao próximo. E sempre que isso ocorre, estamos agredindo ao próprio Deus em seu amor e em sua santidade e justiça. Amar é o exercício de santificação da vida, zelando e promovendo o bem de todos. No bom cumprimento de meus deveres, exercito o amor ao próximo. Assim sendo, a greve em função dos direitos de alguns, se desqualifica, se torna imoral, quando agride, reprime e suprime o que é básico e essencial ao restante da sociedade. A pior forma de justiça é quando, em nome da justiça, se pretende fazer justiça com as próprias mãos. Dentro da questão do amor ao próximo, está o exercício correto e íntegro de nossas vocações, funções e atribuições, seja como esposo, esposa, pais e filhos, patrões e empregados, governantes e governados. E, se por um lado, há promessas de bênçãos de Deus quando bem desempenhada a nossa vocação e cumprido o nosso dever, por outro lado, há também consequências para os que os descumprem. Quanto aos governantes, por estarem num sacerdócio sagrado, nosso dever primeiro é orar para que Deus os ilumine a fazerem um bom governo. E, se isso não ocorrer, orar para que Deus nos faça justiça e castigue os maus. E, a partir daí, nunca mais votar em nenhum destes.