Opinião
Um País perdido
Muita coisa aconteceu entre as manifestações de 2013 e a greve dos caminhoneiros de 2018, mas pouca coisa mudou. Os brasileiros continuam completamente confusos e perdidos. Há 5 anos, após confrontos contra um aumento de 20 centavos na passagem de ônibus, passeatas tomaram subitamente as ruas. Sem lideranças, organização central ou pauta definida, elas pediam coisas genéricas como saúde, educação e o fim da corrupção. Tudo muito bonito, até chegar o momento de decidir como se iria conseguir essas coisas. Aí o País rachou. Foi a pior eleição da nova constituição. Uma eleição em que ninguém queria os candidatos que chegaram ao segundo turno. Quem votou em Dilma queria apenas evitar a volta dos tucanos. Quem votou em Aécio só queria acabar com o PT. Dilma praticou um estelionato eleitoral. Aécio zombou da democracia pedindo recontagem ?pra encher o saco?. Uma tragédia. Dois anos depois, o governo caiu. O fato dos novos comandantes serem a mesma turma que, desde sempre, atrasa o Brasil como uma âncora, parece não ter incomodado. Mesmo depois que o novo mandatário começou a repetir os mesmos erros da anterior, as expectativas continuaram melhorando e a bolsa batendo recorde. Agora, com a greve dos caminhoneiros, até mesmo a famigerada política de subsídios aos combustíveis voltou. A Petrobras, que vinha lentamente se recuperando, voltou a perder um terço do seu valor de mercado. E isso é só o começo. O Brasil se vê, novamente, na mesma situação do início do governo Dilma. Uma imensa pressão sobre a dívida pública, necessitando de urgente redução do gasto, junto com a iminência de uma enxurrada de greves pedindo aumento de salários, subsídios e isenções. Novas eleições batem à porta e continuamos discutindo se era presidente ou presidenta, se foi golpe ou ?golpe?, achando que a solução dos nossos problemas é prender, ou soltar, o Lula. O próximo presidente será aquele que melhor mentir sobre como vai reformar a previdência sem diminuir a aposentadoria de ninguém, como vai fingir que vigia os 17 mil quilômetros de fronteira ou como vai diminuir o gasto público sem prejudicar a saúde, a educação ou outras alíquotas sociais. O cenário eleitoral está se consolidando para um depressivo repeteco de 2014. Metade do País votará contra Bolsonaro e a outra metade contra Ciro Gomes. 2019 é um barril de pólvora que entregaremos a um piromaníaco.