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Opinião

Com greve, mas sem desordem pública

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Terça-feira passada, o engenheiro da multinacional que fabrica e faz a manutenção dos aceleradores lineares, máquinas que tratam os pacientes com câncer, dirigia-se de Recife para Maceió para realizar as manutenções preventivas nos dois aceleradores lineares da Santa Casa. Ele vinha de carona, pois seu carro tinha ficado sem gasolina naquela capital, quando nas imediações de Messias, às duas horas da tarde, parou no bloqueio da estrada, onde existia uma imensa fila de caminhões e de carros de passeio. Assustado pelo aparato do bloqueio (carros atravessados, fogo nas laterais junto com entulhos diversos) e principalmente pelo clima belicoso dos manifestantes, mas angustiado pelos compromissos de seu trabalho, o engenheiro desceu do carro e dirigiu-se temeroso aos manifestantes. Foi direcionado para o comandante daquele movimento, e, após explicar detalhadamente o motivo de sua viagem, implorar e apelar por todos os santos, sua passagem foi liberada. O tempo que levou nessa empreitada humilhante parado demorou mais do que todo o trajeto rodado. Nas trincheiras que se tornaram as estradas congestionadas pela greve dos caminhoneiros nos últimos dias, atendidas as exigências dos grevistas com saldos extras para o movimento, uma parcela importante dos que permanecem nos comandos dos bloqueios das estradas pelo País afora são daqueles que querem aproveitar o momento crítico nacional para disseminar o caos. Os slogans mostram a infiltração de extremistas e oportunistas irresponsáveis ? Fora Temer, Intervenção Militar Já, Lula Livre ? totalmente alheios ao movimento. Enquanto os números do governo apresentam uma conta imediata para o contribuinte que ultrapassa os 10 bilhões de reais, que chegarão a curto prazo a 30 bilhões, os prejuízos imediatos, a médio e longo prazos para o setor produtivo são imensuráveis. É de dar dó se ver os animais morrerem de fome, o leite derramado nas estradas, a proteína animal nobre sendo usada como adubo ou simplesmente enterrada. O apoio à greve entre a população chegou a 87%, mas ninguém quer pagar essa conta, que fica sempre para os cofres públicos, ou seja, para o contribuinte. E os dramas e prejuízos materiais e humanos em setores já devastados, como a saúde pública, nunca serão devidamente aferidos. O que está claro desde o início é que a greve dos caminhoneiros e o apoio majoritário da população são uma clara rejeição ao governo Temer, mas que está prestes a findar e não merece maiores dispêndios de energia, além do que quem iria ocupar o seu lugar seria Rodrigo Maia e isso não é avanço; mas a greve é principalmente revolta e indignação contra a atual estado de coisas: contra a corrupção entranhada no aparato estatal e a carga tributária excessiva que compromete 34% do PIB nacional, que mantém e subsidia um grupo de privilegiados que têm salários altos e reajustes regulares acima da inflação, como os petroleiros e outros alocados em estatais, em detrimento da população em geral. O governo precisa agir de forma eficiente e vigorosa para punir empresários oportunistas e evitar que a greve dos caminhoneiro evolua para a desordem pública, permitindo que os caminhoneiros que queiram seguir para a estrada o façam, mas também atuando fortemente contra petroleiros e outros grevistas crônicos do serviço público ou de estatais que debocham habitualmente dos sacrificados contribuintes.

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