Opinião
Nova política
O pedido de demissão do presidente da Petrobras, Pedro Parente, na sexta-feira, foi mais um capítulo na polêmica envolvendo a política de preços dos combustíveis praticada pela estatal, que resultou no protesto dos caminhoneiros. Desde 2017, a empresa optou por repassar com maior frequência as flutuações do câmbio e do petróleo. Com isso, o preço da gasolina e do óleo diesel chegaram a ter reajuste quase diários. Além de impactar o bolso dos consumidores, a nova política representou uma mudança radical ao que vinha sendo praticado no governo Dilma. A presidente impôs à estatal um controle de preços para subsidiar os combustíveis e ajudar a conter a inflação. Outros governos já haviam usado a mesma estratégia com maior ou menor intensidade. Essa política teve o mérito de segurar os preços, mas também resultou em grande prejuízo para a Petrobras, que era obrigada a arcar com a falta de paridade internacional. A receita adotada por Pedro Parente adequou a empresa a práticas comuns do setor de petróleo e ajudou a recuperar a credibilidade da Petrobras e seu valor de mercado. O valor das ações da estatal quadruplicou poucos meses após a adoção do novo sistema de preços. Além disso, a gestão de Parente era vista no mercado como uma blindagem contra interferências políticas na estatal. O problema é que o governo não levou em conta o impacto social da medida. A volatilidade do preço do petróleo e a valorização do dólar fizeram a Petrobras reajustar o diesel em 56% num período de 11 meses. A gasolina e o gás de cozinha também sofreram reajustes frequentes. Como se sabe, mais de 60% do transporte de cargas no Brasil ? incluindo alimentos, combustíveis e produtos industrializados ? é feito por caminhões. Imagine-se o impacto da alta do óleo nesse setor. Também houve um grande reajuste no preço do botijão de gás, fazendo com muitas famílias de baixa renda voltassem a apelar para o uso da lenha. Os reajuste diários tornaram impossível aos transportadores estimar corretamente os custos de frete. As duas políticas de preços adotadas pela Petrobras se mostraram inadequadas. É preciso buscar um novo modelo que leve em conta a realidade brasileira, sem comprometer a saúde financeira da estatal. Experiências internacionais não faltam.