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Opinião

O desafio diário da construção pessoal

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Afinal, qual o verdadeiro papel do ser humano na Terra? Sua existência seria voltada apenas à sua própria edificação ou seria seu o dever de mudar, pelo menos, parte do que está ao seu redor? A resposta a esta pergunta permeia diariamente o imaginário de tantos, às vezes, claramente, mas, em outros, manifesta-se disfarçada de insatisfações pequenas com a rotina diária. Em palestra acontecida no minicurso Como Superar os Limites Internos, na comunidade Nova Acrópole, a professora e filósofa Maria Helena Galvão apresenta a luta pela construção pessoal como algo completamente díspar da autoajuda e destaca que a diferença entre as duas está na percepção de que, enquanto a primeira te motiva a crescer verdadeiramente, também te incentiva a promover uma mudança ao seu entorno. Já a segunda prega a ?ajuda? apenas a si mesmo e reforça o egocentrismo. A evolução pessoal apresentada por Maria Helena não é mesquinha e requer paciência por não trazer resultados imediatos. Por esta razão, de acordo com a professora, é fácil que muitos desistam de buscá-la e encontrem diversos obstáculos, chamados por ela de ?resistência?. E o que seria esta resistência? A resposta é simples: tudo aquilo que te impede de crescer. Partindo desta perspectiva, a resistência seria o convite para a festa na hora em que você está fazendo seu projeto de mestrado, a previsão aterrorizante no horóscopo no dia de pedir o aumento ao chefe e tudo o mais que te afasta de fazer o que se deveria estar fazendo para construir o futuro que se deseja. Refletir sobre este tema é doloroso porque quase sempre é mais fácil colocar a culpa no outro pela estagnação. Ser vítima é, em certo ponto, libertar-se da responsabilidade sobre o rumo de nossas vidas quando ela não ?está dando certo?; é colocar-se em um barco sem leme aderindo ao pensamento de Fernando Pessoa: ?navegar é preciso, viver não é preciso?, porque a vitimização é perigosa e não potente. Depois desta ponderação, é normal que se pense: será que me vitimizo? O que posso fazer para melhorar minha vida? O que gosto e o que não gosto em mim? Assumo a responsabilidade por meus erros ou sempre tenho certeza de que os outros erraram comigo? Até que ponto sou tolerante no que se refere a mim e aos demais? É válido lembrar que se questionar sobre suas ações não é o mesmo que se tornar um carrasco pessoal, mas, sim, analisar as situações e perceber o que você pode fazer para se tornar a pessoa que deseja, para se libertar de realidades que não são benéficas para ti e para fazer isso é necessário que exista a humildade para reconhecer os próprios erros, a condescendência consigo mesmo e com o próximo e a consciência de que o ser humano é uma construção inacabada e imperfeita até o fim de sua vida.

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