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Opinião

O grande equívoco!

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A maioria dos brasileiros hipotecou solidariedade ao movimento dos caminhoneiros. Uma tendência natural porque a manifestação, de alguma forma, reflete a angústia que vocifera no coração da sociedade. Um cansaço inesgotável a cada virada de ano. A cada novo governo, a hipocrisia faz a vez, sem nada, absolutamente nada, emitir reflexos positivos para o País. Sim, a economia acordou, reacendeu os ânimos. Mas, se há um estado negativo de vontade política operando em paralelo, os efeitos são toscos. Os conhecidos aproveitadores se insurgem para esbravejar críticas e esquecem que nas costas carregam uma carga pesada de investigações. Se a gestão da senhora Dilma foi uma trapalhada geral, um desequilíbrio insano, seu sucessor com postura de estátua de cera apenas mudou de estilo: ela, estabanada com imensa dificuldade de juntar coisa com coisa. Ele, delicado, fazendo um esforço danado para ganhar simpatia pela eloquência das palavras. Um governo comprovadamente fraco, que ouve muito, é verdade, se aconselha demais, porém retardado, justo quando o momento requer celeridade, decisão da autoridade que lhe cabe. Entre a cruz e a espada, atolado na velha conhecida lama de graves denúncias de corrupção, seu chip já não tem espaço para armazenar pressão. Enfraquecido por fora face ao absurdo índice de impopularidade, o maior da história mundial para um chefe de Estado. Incrível! Perdeu a força de barganha com o Congresso, apesar dos milionários dividendos financeiros para aprovação das conhecidas PECs ou salvar a própria pele de graves denúncias. Aliás, um parlamento aproveitador que não tem bandeira nem compromisso com a sociedade. Seu lado é o de quem está no poder, de quem dá mais. Imagine agora quando esse governo está caindo de podre. Por dentro, entre ministros, assessores e bajuladores, já não flui com a mesma desenvoltura como imaginávamos que seria pós-impeachment. Um grande equívoco! A princípio, entendemos a greve como um ato legítimo, um direito do trabalhador que reivindica melhorias na sua qualidade de vida. O que não foi o caso na sequência dos acontecimentos, ao serem revelados interesses acima da competência da comissão de crise antes mesmo que o caos se estabelecesse. Deu apagão na inteligência do governo até entender que o comando do movimento tinha força política, econômica e de radicais infiltrados instigando a desestabilização do presidente ? dos que torcem por um estado de anarquia que comprometa a realização das eleições em outubro. Tudo pode acontecer, as dificuldades podem persistir por mais tempo; é possível. Entretanto, a esperança de um Brasil dos brasileiros, eles não podem nos tirar. A caminhada é longa, tortuosa, do tamanho da imensidão do País, que tem conseguido neste percurso grandes e importantes conquistas, graças à Justiça. Dois ex-governadores de poderosos Estados, um ex-presidente da República, ex-presidente da Câmara Federal, todos encarcerados. Somem-se a eles, ex-ministros, deputados, senadores, prefeitos e corruptores antes intocáveis. Outra centena de ?respeitáveis? políticos, inclusive o próprio presidente da República no exercício do cargo, de novo sob suspeita de corrupção e investigação policial. Nem tudo são trevas. Ainda existe um ponto de luz no fim do túnel.

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