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Lampião e Cabral de volta ao Brasil

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Contam, a boca miúda, que, dois ilustres personagens da história brasileira, conseguiram alvará junto ao Pai Maior para voltar à terra. Trazidos pela nave celeste, foram deixados em São Paulo, para, dali, via aérea, deslocarem-se aos seus destinos. Lampião, acompanhado de Maria Bonita, desejava rever a beleza das caatingas e o povo sertanejo, enquanto Pedro Álvares Cabral, que trouxe o fiel escriba Pero Vaz de Caminha, sonhava por visitar a Salvador dos dias atuais. Usando roupas características de suas épocas, mais pareciam integrantes de uma dessas quadrilhas, as juninas. Já no aeroporto, conviveram com um atraso por falta de querosene para as aeronaves, tempo suficiente para que se adaptassem às novidades, desconhecidas em seus tempos: casais do mesmo sexo, whatsapp, Lava Jato etc. Tudo muito diferente daquilo com que eram acostumados a conviver, quando de suas incursões, quer seja pelos oceanos ou, até mesmo, pelas paragens áridas do nordeste. De início, constataram que muita coisa mudara. A novela das oito começa às nove. Os políticos, só trabalham de terça a quinta, e a gasolina brasileira era vendida mais barata no exterior que no próprio País. Finalmente, embarcaram e já acomodados, receberam um sanduíche de pão com vento e copo de agua para tapear a fome. Dia seguinte, já em seus destinos, iniciaram a turnê. Lampião e sua amada partiram cedo, mas, bem antes de pegarem a ravina, encontraram, à frente, um grupo de sem-terra, que bloqueavam a estrada, impedindo sua passagem. E quando Capitão Virgulino tentou se apresentar, estes lhe aplicaram um safanão, retiraram seu bornal, chapéu de couro, espingarda soca tempero e quebraram a única lente dos óculos usado. Maria Bonita fugiu e se escondeu no alto de uma trepadeira. Em Salvador, Cabral e Caminha visitaram o Mercado Modelo. Lá, encantados, quiseram degustar um acarajé quente. A pimenta era tanta que seus olhos anuviaram, no exato momento em que surgiu um grupo de bons baianos que surrupiaram pulseiras e colares, do descobridor do Brasil e seu acompanhante. Os visitantes, apavorados, viram surgir à sua frente uma cigana, que desejava ler suas sortes, sob a ameaça de que, se não permitissem, suas virilidades desapareceriam. Saíram em disparada, sem olhar para trás. Lampião conseguiu reencontrar Maria Bonita, que, de tanto medo, necessitava urgente de uma limpeza. Correndo, chegaram a Maceió e optaram pelo Riacho Salgadinho, que, em seus entendimentos como outrora, teria suas águas puras e límpidas, quase mineral. A musa do Rei do Cangaço, ao banhar suas partes, pegou uma xanha que não a deixava em paz. Deus, de lá de cima, resolveu recolhê-los. Lampião só de cuecão. Maria Bonita, manca de uma perna e cheia de feridas no corpo; Cabral, totalmente depenado, inclusive sem o seu astrolábio e Caminha, sem nenhuma anotação ou relatório de viagem, por ter perdido sua caneta pena de ganso no Pelourinho. Depois de algum tempo, Ele, imaginou: Ainda bem que os viajantes não tiveram tempo de conviver com a invasão dos traficantes no Rio ou participar de uma reunião plenária do congresso em Brasília.

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