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O deletérico jeitinho rei

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Nos últimos documentos referentes à ditadura militar revelados pela CIA, o embaixador norte-americano da época registra o seu estupor com o que chamou o ?jeitinho rei? brasileiro para resolver todas as coisas:em síntese era ou a corrupção ou o compadrio, a histórica prática de solucionar todos os problemas, não pelo mérito da causa,mas pelo acomodação de interesses, normalmente os mais suspeitos e escusos que nunca levavam em conta o interesse público. Mais de 50 anos depois aquela velha e arraigada cultura nacional prevalece, com efeitos terríveis no cotidiano do contribuinte: trens da alegria no serviço público, como agora ocorre com os funcionários públicos em São Paulo continuam vorazmente encarrilhados e sugando os recursos que deveriam ir para áreas sociais ou investimentos; os caminhoneiros grevistas, como as soluções propostas pelo governo ainda não se apresentaram nas bombas ameaçam retornar à greve. E, muito pior, a violência avança descontroladamente: vândalos comandados pelo PCC incendeiam ônibus, criam o terror em Minas Gerais e ameaçam estender suas garras pelo resto do País. As taxas de criminalidade atingem níveis superiores aos observados na Síria, estando a nossa Alagoas entre os estados mais violentos. Caso façamos um esforço para encontrar um liame entre a observação do embaixador norte-americano 50 anos atrás e este estado de coisas, será fácil identificar que o ?jeitinho rei? brasileiro é responsável pela maioria dessas mazelas nacionais: a farra com os funcionários públicos é um moto contínuo, como se o dinheiro brotasse em árvores, mas é o contribuinte que vai pagar mais esta sangria. Os caminhoneiros entraram em greve, devastaram a economia e podem retornar a ela, por excesso de tributos que constam do diesel (o subsídio dado pelo governo será subtraído de áreas sociais, como o SUS, já caótico) e que podem aumentar mais, pois controle de preços e subsídios, a conta será pago por toda a sociedade. A violência avança, ameaça a todos e a todos os momentos, com requintes de terrorismo como nos incêndios de ônibus que deveriam levar trabalhadores para o labor. A apreciação do embaixador norte-americano feita há 50 anos, este modesto contribuinte acrescentaria mais outra característica extremamente deletéria ? a inconsequência. Por uma perversa ironia da história, alguns anos atrás uma emenda parlamentar visava criminalizar com rigor atividades como incêndios de ônibus e assaltos a bancos, o governo de então usou toda a sua influência para impedir a sua aprovação, o governo era do partido do atual governador de Minas. Também por inconsequência, na melhor das hipóteses, ou coisa muito pior, o ministro do Supremo, Gilmar Mendes, todo dia solta um bandido do colarinho branco, com justificativas que indignam, humilham e afrontam o contribuinte brasileiro: cenário muito propício para radicais prosperarem nas eleições de 2018.

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