Opinião
Paz distante
Na noite do último dia 13, os Estados Unidos bombardearam a Síria com o apoio do Reino Unido e da França. O ataque com mísseis de alta precisão visou três alvos do governo do ditador sírio Bashar al-Assad incluindo um centro de pesquisa e produção de armas químicas em Damasco, que é a capital do país e o coração do regime Assad. O bombardeio foi a concretização de uma promessa do presidente dos EUA, Donald Trump, em retaliação ao governo sírio devido a um suposto ataque químico promovido pelo governo daquele país contra rebeldes. Trata-se de mais um capítulo da guerra civil que há sete anos dizima a Síria e já causou a morte de mais de 470 mil pessoas, de acordo com estimativas do Centro Sírio para Pesquisas Políticas. Segundo a ONU, a guerra também levou cerca de 10 milhões de sírios a cruzar a fronteira do país em busca de paz. No Líbano, 25% da população já são compostos por sírios refugiados. Mais de 7,5 milhões de crianças já foram afetadas diretamente pela guerra síria. O conflito teve início em 2011, no bojo da chamada Primavera Árabe. Enquanto os protestos e as insurreições armadas removeram do poder os líderes da Tunísia, do Egito, da Líbia e do Iêmen, o ditador sírio Bashar al-Assad permaneceu, apesar de exercer uma forte violência contra seu povo. Assad reprimiu com violência a revolta popular. A oposição pegou em armas, e os Estados Unidos, a Arábia Saudita e outros países endossaram a causa dos rebeldes, dando-lhes apoio político e fornecendo-lhes armas e dinheiro. O ditador conseguiu dispersar a ameaça rebelde, graças, em grande parte, ao apoio financeiro e militar de seus parceiros, como a Rússia e o Irã, mas o conflito também atraiu grupos extremistas, como o Estado Islâmico. A decisão do presidente Trump de bombardear alvos sírios elevou a tensão entre os Estados Unidos e a Rússia e deixa o mundo apreensivo, já que se trata das duas maiores potências militares do planeta. Assim como no início do conflito, o futuro da Síria se mantém incerto, mas a paz parece ainda distante. A situação chegou a um ponto que levou o papa Francisco a declarar que está profundamente preocupado com a incapacidade se se chegar a uma ação comum destinada à paz na região, apesar dos instrumentos à disposição da comunidade internacional. O problema é que há outros interesses em jogo.