Opinião
Poluição e desperdício
O Dia Mundial do Meio Ambiente, comemorado esta semana, tem como tema este ano ?#AcabeComAPoluiçãoPlástica?. O objetivo da ONU é chamar a atenção da sociedade para reduzir a produção e o consumo excessivo de produtos plásticos descartáveis. A data soma esforços à campanha #MaresLimpos, para combater o lixo marinho e mobilizar todos os setores da sociedade global no enfrentamento deste problema, que se não for solucionado poderá resultar em mais plástico do que peixes nos oceanos até 2050. Segundo as Nações Unidas, a poluição plástica é considerada uma das principais causas atuais de danos ao meio ambiente e à saúde. Por ano, são consumidos até 5 trilhões de sacolas plásticas em todo o planeta. No caso do Brasil, dos 78,3 milhões de toneladas de resíduos sólidos produzidos anualmente, cerca de 10,5 milhões de toneladas são de material plástico. A situação brasileira é ainda mais preocupante porque cerca de 40% de todo o resíduo gerado no País não tem um destino adequado ? vão parar em lixões ou no próprio ambiente. Além da questão ambiental, trata-se de um desperdício econômico. Especialistas avaliam que se o total do montante de plástico fosse reciclado, seria possível retornar cerca de R$ 5,7 bilhões para a economia. A destinação de resíduos no Brasil ainda é incipiente. Sete anos após a aprovação da Política Nacional de Resíduos Sólidos no Brasil, apenas 18% dos municípios possuem coleta seletiva de resíduos ? some-se a isso a ausência de educação ambiental por parte da população. Os lixões a céu aberto, que deveriam ter sido extintos em 2014, de acordo com a PNRS, continuam firmes e fortes no Brasil. Ressalte-se que Alagoas recentemente se tornou o primeiro estado a encerrar todos os lixões. Evidentemente, a reciclagem só será possível quando houver viabilidade econômica, o que inclui incentivos governamentais. A primeira medida é desenvolver soluções logísticas que concentrem esses materiais. A partir disso, será possível diluir os altos custos logísticos e trazer viabilidade econômica para que os materiais recicláveis cheguem à indústria a um preço atrativo, como aconteceu nos Estados Unidos. Nesse aspectos, continuamos atrasados e desperdiçando oportunidades. O gerenciamento de resíduos deve envolver uma rede complexa de atividades. O momento é mais do que propício para uma mudança de postura.