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Opinião

Para que viver?

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Recentemente, recebi uma triste notícia: mais um caso de suicídio. Não pretendo culpar qualquer instituição pelo ocorrido, nem analisar circunstâncias específicas do caso. Quero, apenas, refletir sobre a realidade desse fenômeno que, aparentemente, tem se intensificado nos tempos atuais. Provavelmente os estudos mais famosos sobre o atentado voluntário contra a própria vida foram desenvolvidos por Èmile Durkheim. Para o sociólogo francês, o suicídio pode ser classificado como egoísta, altruísta ou anômico. Em todos os casos, sempre se origina em fatores sociais. Como Durkheim, penso que há forças sociais poderosas que operam em favor da desvalorização da vida, o que se intensifica em uma cultura profundamente influenciada por um sistema ético que busca erradicar a interferência da fé ou da religião no comportamento humano. Em uma cultura dominada pelo secularismo, questionamentos como ?Quem sou eu??, ?Por que estou aqui??, ?Para onde estou indo?? obtém respostas do tipo: ?Você é resultado acidental de uma combinação aleatória de energia e matéria?, ?Não existe qualquer razão para você existir?, ?Você está caminhando em direção à morte e à inexistência?. Como resultado, cada vez mais pessoas sofrem com a sensação de falta de sentido. Já no século XVI, Blaise Pascal percebeu o quanto esse sistema de crenças pode ser angustiante. Em seus Pensamentos, assim escreveu: ?A morte que nos ameaça a cada instante deve colocar-nos infalivelmente dentro da necessidade de sermos eternos, ou aniquilados, ou infelizes. Nada mais real nem mais terrível do que isso?. De fato, como constatou o filósofo teísta William Lane Craig: ?Se não há Deus, o ser humano e o universo estão condenados. Como prisioneiros condenados à morte, esperamos nossa execução inevitável. Não há Deus e não há imortalidade. E qual a consequência disso? Significa que a própria vida é um absurdo. Significa que a vida não tem sentido, valor ou propósito fundamental?. Fomos criados com a necessidade de manter conexão com o Criador. Ao matarmos Deus, matamos nossa própria essência. Mesmo que não cometamos suicídio, a morte física que nos espera é apenas a culminância da morte espiritual já iniciada. Felizmente, enquanto a vida não se exaure por completo, as palavras de Jesus ainda podem nos trazer esperança: ?(...) Eu sou a ressurreição e a vida; quem crê em mim, ainda que morra, viverá? (João 11: 25). Que creiamos e vivamos!

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