loading-icon
MIX 98.3
NO AR | MACEIÓ

Mix FM

98.3
quinta-feira, 06/08/2026 | Ano | Nº 6282
Maceió, AL
24° Tempo
Logo Gazeta de Alagoas Logo Gazeta de Alagoas
Home > Opinião

Opinião

Grande fosso

Ouvir
Compartilhar

Relatório da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) estima que, no Brasil, podem ser necessárias nove gerações para crianças nascidas em uma família de baixa renda (os 10% mais pobres da população) alcançarem a renda média do País. A média dos países da OCDE é de cerca de cinco gerações, segundo o estudo ?Um elevador social quebrado? Como promover a mobilidade social?. No ranking dos 30 países analisados pela OCDE, a situação só é pior na Colômbia, onde a ascensão social de descendentes de famílias pobres levaria 11 gerações. O Brasil está empatado na segunda pior posição com a África do Sul, país que conseguiu acabar com o regime do apartheid ? que previa segregação de direitos entre brancos e negros ? somente em 1994. Para a OCDE, apesar do progresso social observado no Brasil com a saída de 25 milhões de brasileiros da pobreza desde 2003, a desigualdade continua alta e o sistema educacional é uma das razões. Além do tamanho dessa distância entre ricos e pobres, outro fator que caracteriza a desigualdade no Brasil é a persistência do problema ao longo dos anos. Somos um País muito desigual, com instituições igualmente desiguais e uma história que tem perpetuado essa situação. É fato que a desigualdade entre ricos e pobres no Brasil continua sendo uma das mais altas do mundo, seja qual for a base de dados usadas para medi-la. Outro fator que caracteriza esse fenômeno é a persistência do problema ao longo dos anos. Pode-se atribuir esse problema a vários fatores, entre eles, o sistema tributário que pesa muito sobre os pobres e a classe média, as discriminações de raça e gênero e o nosso sistema político, que concentra poder e é altamente propenso à corrupção. Não existe solução mágica para o problema da desigualdade. É preciso uma combinação de políticas públicas que melhorem a eficácia do gasto público na educação e saúde, aperfeiçoem o acesso e qualidade do ensino profissional e melhorem a redistribuição de renda por meio de reformas que aumentem os gastos sociais em programas direcionados aos grupos mais vulneráveis. Sobretudo, é fundamental o envolvimento de toda a sociedade brasileira nesse debate. Trata-se de uma questão urgente, que não pode ser encarada pelo ponto de vista ideológico nem com polarizações.

Relacionadas