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Como da Vinci enfrentou o desemprego

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O Brasil hoje e, sobretudo, Alagoas passam por um dos momentos mais conturbados na história econômica, na desaceleração produtiva e no desemprego. Qualquer um que produza ou trabalhe para quem gera riquezas está no mesmo barco. Salvam-se os funcionários públicos, os comissionados e os políticos, cujo patrão é o governo. Para uma legião de desempregados que hoje permeiam as cidades brasileiras, a criatividade para empreender, as mudanças de atividades ou mesmo os subempregos já não atendem às demandas. Leonardo da Vinci era um controverso. Da primeira vez que morou em Florença, se desgastou bastante perante a sua clientela por falta de cumprimento de prazos, sobretudo de entrega das obras, mesmo já havendo recebido parte do pagamento. Como foi o caso do quadro da Visita dos Reis Magos, que nunca terminou. Não se pode dizer que era famoso ou importante demais naquela época. No entanto, vestia-se, impecavelmente e ao contrário de artistas como Miguel Ângelo, andava sempre muito limpo, sem sequer uma marca que o identificasse como um simples pintor, porque essa não era uma profissão muito nobre. Mesmo assim, como um simples leigo, frequentava hospitais para assistir e desenhar moribundos. Sem contar suas idas noturnas para dissecar cadáveres para tentar entender o mecanismo da vida humana. Nunca foi religioso. Assistiu inerte, com seu caderno de desenho, a morte de Girolamo Savonarola na fogueira. E este mesmo homem estudava o voo dos pássaros e o movimento das águas. Quando a cidade se fechou para ele e não mais recebia encomendas, tratou de enviar uma carta a Ludovico ? o Moro, duque de Milão, oferecendo seus serviços. Seu currículo seria invejável, se tudo o que estivesse escrito, ele houvesse experimentado e testado. Entre pintor, escultor, chegou a engenheiro militar, capaz de cavar túneis sob rios e criar armas para a guerra. Ganhou o emprego e talvez tenha feito até mais que isso. Decorou o castelo para festas, desenhou vestidos para as damas, tentou construir uma estátua equestre a Francisco Sforza, pai de Ludovico, e pintou a Santa Ceia no Convento de Santa Maria delle Grazie. Quando voltou para Florença, trazia uma pequena fortuna e uma vila (propriedade) nos arredores de Pavia. O tempo que passou em Florença até escrever ao Rei da França e ir a Amboise, continuou sem receber encomendas e foi nessa época que pintou simultaneamente, Santana a Virgem e o Menino, a Mona Lisa e João Batista, que terminou levando para a França. Isso numa época em que a maioria dos pintores florentinos estavam em Roma, produzindo arte para o Cardeal Orsini que tinha virado o Papa Julio II. Inclusive, seu arqui-inimigo Miguel Ângelo, que pintava a Capela Sistina. Tiram-se algumas lições dessa história: quando as coisas mudam é preciso também mudar.

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