Opinião
Intolerância
A recente determinação de ?tolerância zero? aos imigrantes ilegais na fronteira dos Estados Unidos com o México causou forte polêmica em todo o mundo, inclusive entre os próprios americanos. As críticas ao governo Trump foram motivadas pelo fato de as crianças serem separadas de seus pais ou tutores que tentam entrar ilegalmente no país. Talvez essa política anti-imigração não tivesse chocado tanto não fossem as imagens veiculadas pela impressa americana mostrando essas crianças sendo mantidas em instalações que mais parecem gaiolas ou jaulas. A repercussão foi tão negativa, que obrigou Trump a assinar um decreto sustando a separação das famílias de imigrantes ilegais. Afinal, choveram críticas tanto de democratas quanto de republicanos. Uma das mais ácidas partiu do senador John McCain ? que já disputou a Presidência pelo mesmo partido de Trump. Para ele, a separação das famílias é uma afronta à decência do povo norte-americano e vai contra os princípios e valores nos quais a nação foi fundada. Desde que o secretário de Justiça americano, Jeff Sessions, anunciou a política de imigração de tolerância zero, dois meses atrás, cerca de 2.300 crianças foram separadas de seus pais. Sob essas ordens, as autoridades detêm automaticamente qualquer pessoa que passe a fronteira ilegalmente, até requerentes de asilo. Como não podem ser detidas, as crianças são levadas para outros locais, longe dos pais. Há quase 10.800 menores desacompanhados sob custódia dos EUA. Ninguém sabe ao certo exatamente quantos eles são. A par de outras polêmicas envolvendo o governo Trump, é de lamentar o fato de um país com tradição de acolhimento a estrangeiros ? que ajudaram a construir a nação ? e defesa dos direitos humanos adotar práticas tão condenáveis. Assim como ocorreu em relação à questão ambiental e ao acordo nuclear com o Irã, mais uma vez o presidente americano parece se mover pela adoção de soluções conjunturais e imediatas que atendam a interesses corporativos os quais ele representa e para satisfazer os setores mais atrasados da sociedade estadunidense, para críticas do resto do mundo.