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Opinião

Investimento insuficiente

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Estudo da Confederação Nacional da Indústria (CNI), denominado Saneamento Básico: uma agenda regulatória e institucional revela que para universalizar os serviços até 2033, conforme estabelece o Plano Nacional de Saneamento Básico (Plansab), é necessário ampliar em 62% o volume de investimentos para um patamar de R$ 21,6 bilhões anuais. De acordo com o estudo, o investimento insuficiente é o maior vilão para a ampliação da cobertura por redes de esgoto no Brasil. Nos últimos oito anos, a média de recursos aportados no setor foi de R$ 13,6 bilhões. Atualmente, 43% da população vive em cidades sem rede de tratamento de esgoto. No norte do País, esse número sobe para 90%. Enquanto no Sudeste, apenas 17% dos cidadãos não têm acesso ao serviço. Os dados da água são mais expressivos: 83,3% dos brasileiros têm acesso à água tratada, de acordo com o Instituto Trata Brasil. Entretanto, ainda restam 35 milhões de pessoas sem este serviço no País. As prefeituras de pequenos municípios têm dificuldade em administrar o problema, seja por falta de pessoal especializado seja por desinteresse dos gestores. Além de insuficientes, os investimentos no setor costumam ser mal distribuídos, isto é, concentrados onde a situação já está melhor. Enquanto algumas cidades e estados caminham para a universalização da água e esgotos, grande parte do Brasil não consegue avançar. A consequência dessa distorção é a maior vulnerabilidade da população às doenças. O problema do saneamento traz complicações de saúde pública, a mortalidade infantil é principalmente causada por doenças de veiculação hídrica, como a diarreia. O saneamento básico está diretamente relacionado ao desenvolvimento urbano e sustentável de um País. Isso significa que as cidades brasileiras só poderão combater as desigualdades sociais a partir do correto investimento em abastecimento de água, esgotamento sanitário, manejo dos resíduos sólidos e drenagem urbana. Levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI) aponta que, para cada R$ 1 investido em saneamento, o PIB aumenta R$ 3,13 por causa dos efeitos diretos e indiretos em outros setores como a construção civil, serviços, comércio, intermediação financeira, seguros e até alimentos e bebidas. Portanto, trata-se de uma área que deve merecer atenção prioritária dos governos.

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