Opinião
O Brasil em tempo de paradoxo
Para aqueles que folheiam os jornais brasileiros, diariamente, devem ter notado que o contexto mudou. Os assuntos esportivos, notadamente, da Copa do Mundo, ganharam 50% do espaço jornalístico. No momento atual, com certeza não se sustentaria a greve dos caminhoneiros nem outros assuntos ligados à política ou economia. O País tirou férias para assistir a copa. E nem parece que há 120 dias teremos eleições presidenciais e ainda nem temos ideia do perfil dos candidatos. No dia 26 o Supremo decidirá se Luiz Inácio Lula da Silva poderá sair da prisão para ser presidente. Não digo sequer candidato. Porque se isto acontecer nenhum outro terá chance. Ele já entra eleito. O Brasil é um país enorme, tão grande, mas, quando se fala em futebol e carnaval, qualquer outro tema é de somenos importância. Copa do Mundo então é coisa sagrada. Dificilmente, alguém não tem o dinheiro da cerveja e uma camiseta da copa para torcer. Por maior que seja o desemprego e a gasolina cara, os barzinhos não estão vazios em jogo do Brasil. Mais ainda, com o medo da Lei Seca, o sujeito nem sai de carro para não voltar com uma multa na mão. Há pouca diferença para o carnaval, quando durante quatro dias são esquecidos todos os problemas brasileiros enquanto a folia brilha. Mesmo assim, aqueles que têm como patrão o governo, geralmente, ao invés da quarta-feira, voltam na segunda pela manhã e ainda reclamam da vida. Por isso, é que o tempo congela durante a Copa do Mundo e num universo paralelo ficam depositados os problemas políticos e econômicos, a corrupção e as indecisões do Supremo, para que um outro universo mais alegre, verde e amarelo, desfile na esperança do povo brasileiro. E assim temos um paradoxo, que não é do tempo, que não configura a teoria quântica, mas permeia a mente de 200 milhões de habitantes dessa Nação que não sabe o que quer. O povo brasileiro sofre de um sintoma gravíssimo de resiliência. É capaz de se adaptar ou transformar-se como numa metamorfose, dependendo da música, ele dança qualquer ritmo. Orgulha-se de ser um povo empreendedor. Porque quando necessário abre uma barraca pra vender bugiganga. Porém, não consegue imaginar um país onde possa planejar o futuro, porque o futuro no Brasil, sobretudo para o trabalhador é incerto. A começar pela previdência social, que cada vez menos oferece futuro ao idoso. Mas, ?pra não dizer que eu não falei das flores?, a Seleção Brasileira merece um belo buquê pelo seu primeiro jogo com a Suíça, talvez, uma coroa delas, para marcar sua passagem nessa copa de 2018.