loading-icon
MIX 98.3
NO AR | MACEIÓ

Mix FM

98.3
quinta-feira, 06/08/2026 | Ano | Nº 6282
Maceió, AL
24° Tempo
Logo Gazeta de Alagoas Logo Gazeta de Alagoas
Home > Opinião

Opinião

Quando a ferrovia chegar, o Brasil terá jeito

Ouvir
Compartilhar

Há uma máxima dos tempos imemoriais aplicável, analogamente, ao título deste artigo, tema que deve estar em consonância com os dias atuais turbulentos por que passa o País, ?no tempo e no espaço?, neste fim do primeiro semestre de 2018: ?Quando a primavera chegar? marcará nova expectativa, nova esperança, época primeira; nova aurora para o transporte ferroviário, o futuro: quando a ferrovia chegar, o Brasil, viariamente, terá jeito, terá solução, espera-se! Essa é a minha crença, e creio seja a mesma de milhares de ferroviários, de ferroviaristas que sonhamos com a volta do Brasil aos trilhos ainda nesta segunda década do século 21, pois, deste ?tamanhão?, efetivamente, não dá para ficar transportando milhões de toneladas de insumos por sobre pneus, à longa distância, convenhamos. Circulação de mercadorias num percurso de até 500 km é recomendável por rodovia, como procedem os países mais desenvolvidos neste ícone. Acima, somente por ferrovia, de acordo com a logística operacional e a comprovada economia de combustíveis. Essa é a visão primária dos grandes dirigentes das grandes nações, que primam pelo que há de mais moderno. A partir da década de 90, começou o desmonte da Rede Ferroviária Federal, que teve a sua certidão de criação, com a edição da Lei nº 3115/57. Pela Lei nº 11.483/07, veio o seu óbito, por falta de competência de uma legião de maus gestores que por ela passaram, nesse lapso temporal. De lá para cá, pouquíssimos são os que defendem o modo ferroviário como deveriam fazê-lo. Ao Estado cabe estabelecerem-se normas e fazer os investimentos que propiciem a construção de um sistema viário realmente integrado, onde cada ícone de transporte tenha a sua função institucional e operacional, que vise ao conforto e bem-estar da população trabalhadora, destinatária última dos benefícios dos governos. A rigor, ferrovias não existem. Estamos às portas de eleições gerais. Até este mês de junho não se viu, leu ou ouviu nenhum vislumbre de pré-candidatos a presidente apresentar um esboço de programa que fale em melhorar a malha ferroviária, abandonada há décadas e à continuada priorização das rodovias, filé mignon dos lobistas que assolam o Congresso Nacional. Sem o transporte sobre trilhos não se chegará a lugar nenhum neste Brasil, onde, há 164 anos, Irineu Evangelista de Souza inaugurou o primeiro trecho de ferrovia, uma façanha do grande empreendedor daquele século. O Brasil tem jeito, tem solução, desde que construamos mais e mais ferrovias, com a participação patriótica dos gestores dos três níveis da administração pública: municípios, estados e União, pois essa empreitada terá que ser homogênea, numa integração público-privada, com manifesto interesse em ver-se o imbróglio, definitivamente, afastado de nosso corolário de cancros que assolam o País. Não temos uma malha ferroviária continental para o transporte geral de cargas (e passageiros). Mais de 80% da carga que circula pelas nossas poucas ferrovias são dos seus acionistas. Exportam commodities minerais e agrícolas, que não trazem benefícios para o povo brasileiro. Quase tudo que está nas lojas, na sua casa, ou na sua mão circulou de caminhão (por trem não chegou), infelizmente. As autoridades têm que olhar o Brasil, em matéria de sistema viário, de frente para o espelho de uma realidade nua e crua. Ninguém se vê tentando olhar-se colocando o espelho na nuca. O Brasil tem jeito, tem solução, mas tão somente com muitas ferrovias.

Relacionadas