Opinião
Orientação à juventude
A instituição de ensino onde leciono vai promover um grandioso ciclo de debates entre os alunos. O objetivo desse conclave de ideias é ampliar os horizontes culturais dos estudantes, dando-lhes embasamento sobre os temas mais importantes da atualidade. Trazer à arena de discussões assuntos relevantes fará com que os jovens, cara a cara com perspectivas contrárias, tenham sua capacidade de julgamento e tolerância ampliados. Isso, por si só, já justificaria o projeto, mas tem algo que ultrapassa as paredes educacionais: um acontecimento desse tipo tem como princípio dar voz à juventude, que se sentirá parte atuante da sociedade. Esse não é o preceito democrático, dar palavra àquele que não a tem? Anderson Barbosa Magalhães, coordenador pedagógico do Colégio Nossa Senhora Aparecida (CNSA), localizado no bairro Vergel do Lago, diz: ?Essa instituição educacional tem como meta pedagógica defender diálogo a respeito de assuntos que serão úteis na formação do jovem. Vivemos uma época em que a orientação juvenil a respeito de temas polêmicos se mostra ponto indiscutível para a transformação da sociedade. Se o estudante não for estimulado a compreender o outro lado da história, nunca terá senso crítico para discernir entre o certo e o errado ou falar eloquentemente sobre qualquer matéria que lhe seja pertinente?. O competente professor de História do Ensino Médio Fábio Pastor, mentor intelectual desse projeto, esclarece: ?A escola estabelece com esse ciclo de debates um espaço formador de posturas em defesa de argumentos (mesmo os contrários), extraídos da problemática do mundo. É possível desenvolver atividades educacionais em que o educando seja convidado a refletir sobre a vida, interagindo com uma realidade cada vez mais implacável. O ?II Ciclo de Debates?, promovido pelo CNSA, dá ao estudante a chance de explorar o mundo inevitavelmente multidimensional, porque só quem estuda e tem argumento firme pode conquistar aquilo a que aspira. Só os muito preparados sobreviverão à guerra da competitividade; assim, sem perda de tempo, espera-se comprometimento do estudante e persistência dos órgãos educacionais para que não se perca o foco sem perder fôlego?. Além disso, quando o jovem se mune de informações sobre aquilo que defende ou sobre algo que vai de encontro ao próprio pensamento, ele compreende um pouco mais o próximo, se mostra tolerante, se torna mais expressivo aos olhos do mundo, elimina os receios de se expor, de defender seus princípios ou de fazer paralelo entre opiniões antagônicas. Tudo em nome do bom senso individual ? e social também. O respeito à opinião alheia é um exercício contínuo para o qual se deve trabalhar. Vamos adiante: o jovem é convidado, então, a pensar com responsabilidade na engrenagem de informações de que se vale o mundo. Numa sociedade na qual prevalece o individualismo, entender e considerar o julgamento contrário torna-se desafio para todos. Que se conduza bem o jovem agora para que se tenha o adulto tolerante e preparado amanhã.