Opinião
Voto soberano
Pesquisas informais e o sentimento geral das ruas indicam que parte da sociedade brasileira resolveu se afastar do processo eleitoral. O sinal mais claro dessa tendência foi comprovado na eleição para governador do Tocantins, realizada no final do mês passado: 51,83% do eleitorado deu de ombros para a escolha do Executivo. Esse foi o total de bancos, nulos e abstenções. Triste constatação. Influenciados por uma forte campanha na mídia, que atribui aos políticos a responsabilidade pelo que de trágico ocorre no Brasil, os eleitores, ingenuamente, resolveram puni-los virando as costas para o principal sustentáculo da democracia que é o voto livre e soberano. A ingenuidade decorre do fato de que a ausência das urnas em nada mudará o quadro estabelecido. Pelo contrário. Só participando do debate político e votando o cidadão terá condições de estabelecer novas diretrizes para o País. Então, a quem interessa manter o eleitor alienado? Com certeza um segmento que desdenha a participação popular, e é guiado por uma entidade chamada mercado. Grandes conglomerados financeiros, rentistas, complexos de comunicação que distribuem informações seletivas e bolsões extremistas que pregam a desmoralização da democracia com o intuito de implantar regimes totalitários. O eleitor médio não se dá conta da armadilha na qual está metido e prefere eleger um vilão para odiar, no caso, os políticos. Há erros absurdos no Legislativo, e na condução administrativa do Executivo, mas aplicar o princípio da generalização e cruzar braços diante do fato é referendar a armadilha e deixar a Nação entregue aos arrivistas e vendilhões. Mas há esperança. Tenho conversado com jovens eleitores ? alguns nos corredores do Congresso, ávidos por conhecer o cotidiano da Casa ? e muitos manifestam o desejo de influir positivamente. A todos recomendo a aproximação com os partidos, a análise do conteúdo programático e as propostas de governo. O que for pernicioso deve ser posto de lado, mas há partidos que não se envolveram em corrupção e que têm um projeto alternativo de poder consubstanciado nas aspirações populares, no respeito às conquistas trabalhistas e no compromisso com o bem público. Essa estratégia não pode ser imposta. O cidadão deve ter consciência do quão grande ele é e participar espontaneamente da construção da sociedade. Só assim haverá uma reconciliação com o voto.