Opinião
Preocupação do governo com o comércio em 1879
O texto sai das Fallas da Província, exatamente do relatório de Cincinato Pinto de 1879. Preocupado, certamente, com penúria do comércio local, indaga à Associação Comercial de Maceió quais os motivos daquela situação, e a entidade lhe responde. No decorrer do texto vamos ver que as questões climáticas eram, como ainda o são, os fatores de maior influência no desenvolvimento de nossa região. Eis o texto: ?Apesar de nossa Província ressentir-se ainda da seca aterradora que assolou os centro produtores das outras provinciais do norte, não pela aflição direta que desse mal nos proviesse, mas pela diminuição espantosa dos meios de subsistência, consumidas fora de toda a proporção pela corrente de emigrantes que nos sobreveio, podemos dizer que o comercio vai se formando mais animado, coincidindo esta circunstância com a abundância dos gêneros de primeira necessidade que pela volta das estações do ano ao antigo ritmo, foram afluindo ao nosso mercado.? Os meios de sobrevivência, somados à falta de alternativas de outras culturas, além do açúcar e algodão e o clima torrencial, seriam as causas diretas do êxodo rural que permeou todo o século XX e ainda hoje. ?Os agricultores alagoanos não se entregam, é verdade, em larga escala a outros plantios diversos do açúcar e do algodão; porquanto, não tendo estímulos, nem dispondo da conveniente educação agrícola, estão no caso de tudo esperarem da Divina Providência com os braços cruzados.? Desde então o estímulo a agricultura a que se refere o relatório seria uma das alternativas de salvaguardar o homem no campo. Não era só a falta de educação agrícola, mas de um planejamento para esta produção que deveria ir além da sobrevivência, como ainda hoje. Enfim, o mesmo sertanejo, que Euclides da Cunha considera ?um forte? era o mesmo que esperava a Divina Providência, com os braços cruzados. ?Não obstante, é de primeira intuição que, removidas certas causas do entorpecimento do comércio, como a falta de boas vias de comunicação e a carência de estabelecimentos de crédito bem organizados, o que de certo dificulta o desenvolvimento das transações mercantis, deverá ela prosperar, muito principalmente agora que a Província das Alagoas já está libertada da tutela das duas praças Pernambuco e Bahia pela navegação direta, a qual vai produzindo resultados de todo ponto satisfatórios.? Nove anos haviam passado desde a construção da Ponte de Embarque de Jaraguá, e o relatório de 1879 menciona como um fato recente a libertação ?da tutela das duas praças Pernambuco e Bahia?, haja vista que a partir de então o escoamento da produção saía direto do Porto de Jaraguá.