Opinião
Brasil x Brasil: o calvário continua
Há quatro anos sofríamos com duas tragédias. O dolorido placar de 7 a 1 aplicado pela Alemanha e consequente a eliminação da Copa com o rabinho entre as pernas. Um misto de dor e vergonha! A reeleição de Dilma Rousseff escureceu ainda mais o negro cenário daquele ano. Uma campanha pautada em fake news nas redes sociais e nos palanques. Mentiras descaradas escondiam nas entranhas um Brasil prestes a entrar em coma graças à ?nova matriz econômica? da então presidente e candidata. Inflação em descontrole, treze milhões de desempregados. Pelo projeto ambicioso de perpetuar no poder, seu partido empurrou para baixo do tapete a real quebradeira da economia nacional. Não mediu consequências quanto à inevitável desestabilização e não reconheceu o crescimento espantoso do índice de desemprego. Quando as cortinas da triste comédia se abriram vieram à mostra os treze anos do governo que traiu, enganou, corrompeu, corrompeu-se. A bilionária Copa do Mundo de 2014 celebrada por Lula e Sérgio Cabral, ambos presidiários, foi o troféu de ouro para os aliados trapaceiros. O governo espalhou pelo País gigantescas estruturas de arenas para disputa de jogos, investimento segundo eles superior a 8,3 bilhões de reais. Hoje, vários desses estádios são fantasmas, ?elefantes brancos? que não servem para nada. Muitos dos estados premiados com a farra do dinheiro público sequer têm representantes disputando a segunda divisão do campeonato nacional. Inviável os governos estaduais arcarem com a manutenção desses monumentos. DF, Mato Grosso, Amazonas, Rio Grande do Norte são o retrato em P&B do desmando patrocinado em detrimento das políticas públicas que não avançam como deveriam para a melhoria das necessidades fundamentais da população. O que sobrou de positivo para o Brasil com a realização da Copa em 2014? Inflacionou as propinas, azeitou a conta de velhos e novos quadrilheiros. Uns poucos estão presos aguardando a canetada de soltura assinada pela turma de ministros do ?Jardim do Éder? ou ?As bruxas da Lava-Jato?. A Copa do Mundo consegue contaminar, mobilizar, unir na angústia e na alegria milhões de brasileiros. Se esta mobilização que não distingue cor, credo, ricos e pobres fosse para clamar mudança de conceitos e comportamento da política e da justiça, o gigante adormecido logo se transformaria num país promissor! Se o povo tivesse consciência do poder de revolucionar não competiria Brasil x Brasil. O time dos que se emocionam, choram, gritam e brigam com a derrota da Seleção e os pós-Copa: que preferem continuar o seu calvário sem luta e reação contra o escárnio que povoa os poderes. Os meninos que não conquistaram o sonhado hexa voltam para o mundo onde habitam com seus bilionários salários, iates, jatinhos, tatuagens, piercings, mulheres e mansões. Os brasileiros comuns que precisam de alimento, escola, saúde, segurança, continuam aqui, às vésperas de uma eleição que poderia ser o momento para começar a escrever uma nova página na história. O índice de votos nulo e branco (25%), como sinalizam as pesquisas, prenuncia-se como tendência assustadora tamanha a revolta do povo. Um erro que só beneficiaria justamente os que não nos representam.