Opinião
O grande temor
Pesquisa divulgada ontem pela Confederação Nacional da Indústria revela que poucas vezes nos últimos 22 anos os brasileiros ficaram tão preocupados com o emprego quanto agora. O chamado ?Índice do Medo do Desemprego? subiu para 67,9 pontos em junho, valor só registrado em maio de 1999 e em junho de 2016 ? auge da crise econômica. Pelo levantamento, o receio quanto ao desemprego vem crescendo mais entre os homens. Enquanto entre as mulheres o medo teve alta de 2,8 pontos de março a junho, entre eles o aumento é de 5,6 pontos. A preocupação maior com emprego também está entre os brasileiros com menor grau de instrução. O medo tem razão de ser. No trimestre encerrado em maio, o Brasil tinha 13,235 milhões de pessoas em busca de emprego. Apesar do patamar elevado de desemprego, houve melhora em relação ao mesmo período do ano anterior. Entretanto, o mercado de trabalho no País perdeu 483 mil vagas com carteira assinada no período. O fato é que estamos diante de um círculo vicioso. O Brasil tem dificuldade para gerar novas vagas, especialmente com carteira assinada. O aumento da informalidade, ainda que represente alguma geração de emprego, segura o consumo. À medida que a demanda cresce menos, as empresas precisam de menos contratações. O País não cresce, e PIB menor, por sua vez, significa taxa de desemprego maior. Especialistas traçam um quadro não muito animador. Segundo eles, o emprego não deve voltar a crescer tão cedo, porque a expansão da economia está abaixo do necessário para que isso ocorra. A recuperação está ocorrendo de forma gradual e ainda há uma ociosidade elevada da capacidade produtiva. Portanto, para o desemprego voltar a cair, será necessário que o Brasil cresça por alguns anos seguidos. Não há dúvidas de que a economia precisa voltar a crescer, de forma consistente, para esse quadro de desemprego começar a mudar. Entretanto, a situação no mercado de trabalho no Brasil é agravada por problemas conjunturais, com os efeitos da recessão. O País precisa de políticas que ajudem a reverter esse cenário. A reforma trabalhista, defendida pelo governo como uma maneira de modernizar nossa legislação e dinamizar o mercado, ainda não surtiu os efeitos anunciados; ao contrário, contribuiu para a precarização do trabalho. Só nos resta esperar que o próximo governo, respaldado pelos urnas, possa trazer novos horizontes.