loading-icon
MIX 98.3
NO AR | MACEIÓ

Mix FM

98.3
quinta-feira, 06/08/2026 | Ano | Nº 6283
Maceió, AL
24° Tempo
Logo Gazeta de Alagoas Logo Gazeta de Alagoas
Home > Opinião

Opinião

A fúria sonora do The Who

Ouvir
Compartilhar

Assisti à ópera-rock Tommy na pré-adolescência. O filme trata da história de um garoto que, por causa do assassinato do pai, se torna cego, surdo e mudo. Confesso que achei a história difícil, cheia de metáforas e com um ?ar? psicodélico estranho à minha cultura. O musical ainda possui no elenco astros como Eric Clapton, Elton John, Tina Turner, Jack Nicholson e Ann-Margret ? com direção de Ken Russel. O filme foi a versão cinematográfica do álbum homônimo da banda inglesa de rock The Who. Quando vi Roger Daltrey cantar aqueles rocks ágeis e rodopiando o microfone de um canto a outro do palco, pensei logo em conhecer o grupo ao qual meu espírito já havia se amarrado. Não custou muito até eu comprar o melhor álbum da banda, o fora de série Who?s Next. Esse disco tem uma qualidade artística impressionante. O grupo misturou ali o rock?n?roll mais primitivo às baladas mais melódicas ? que serviram de modelo para grupos de toda a década de 70. Explosões sonoras de guitarra, baixo e bateria se alternavam com a voz perfeita de Daltrey. Sucesso de crítica e de público, Who?s Next surpreendeu em vários aspectos: suas músicas mais básicas não se prenderam a clichês do rock e o experimentalismo em nenhum momento passou dos limites. A música Baba O?Riley abre o álbum com um inusitado solo de sintetizador tocado por Townshend ? solo este que se tornou fonte de inspiração para muitas bandas. Como se não bastasse, a canção traz Dave Arbus ao violino, numa sessão tão revolucionária quanto brilhante. Quem dá um show na segunda música, Bargains, é o vocalista Roger Daltrey. O arranjo da canção (um rock forte com contratempos melódicos) é propício para o cantor demonstrar sua potência vocal e o mais cândido lirismo numa pérola maravilhosa. A balada Love Ain?t For Keeping não foi capaz de intimidar o ensandecido baterista Keith Moon, ele a marca com pulso firme e ?viradas? irresistíveis. O tímido (e virtuoso) baixista John Entwistle se aventurou a cantar a bela My Wife e se deu bem. O atrevimento lhe valeu excelentes críticas e lhe deu segurança em outros trabalhos. Em The Song Is Over, Townshend canta como os grandes do rock, versatilidade confirmada em Going Mobile. Vale ouvir a marcação do baixo em Getting In Tune. É em Behind Blue Eyes que o The Who deixa sua marca, tudo na música se harmoniza: da voz suave de Daltrey à beleza do backing vocal, do violão delicado de Townshend até à chegada demolidora da bateria de Moon. Por sinal, é aqui que Moon solta a mão pesada e explode sua raiva (lê-se também talento) nas peles da bateria. A última música do álbum é a impagável Won?t Get Fooled Again. É o clássico que representa a banda. É o momento em que a música se transforma em magia. Difícil dizer quem dos músicos se destaca mais. Composição cheia de energia e melodia recheada de sentimento ? ela se mostra contagiante. A cereja do bolo é o grito expulsa-demônio de Daltrey. Fantástico. Muitos outros sucessos vieram, mas Who?s Next sintetiza, de forma plena, a fúria e a sensibilidade da banda.

Relacionadas