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Gestão eficiente do futebol: o coletivo acima do individual!

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Caro leitor, confesso que meu desencanto com o futebol da seleção brasileira não se remente apenas a essa participação na Copa da Rússia. Meu descontentamento vem desde a final de 1998 contra a França. Após uma semifinal brilhante contra a Holanda, quando Tafarel se consagrou defendendo dois pênaltis, jamais esperava um desempenho tão aquém da seleção naquela final de 98. Até hoje ?uma pulga atrás da minha orelha? me deixa em dúvidas sobre o que de fato aconteceu no episódio da convulsão de Ronaldo e nas dúvidas entre Edmundo jogar em seu lugar ou não. Por outro lado, confesso que fui encantado com as seleções de 1982 e de 1994. E também vibrei com o Penta em 2002 (mas não com o mesmo entusiasmo). Pelo pouco que assisti dos jogos do Brasil durante a Copa da Rússia, tenho a ligeira impressão que temos bons jogadores, mas faltou formar uma equipe. É importante observar que o somatório das partes não necessariamente equivale ao todo. Percebi que, algumas vezes, o individualismo de alguns sobrepujava o interesse do coletivo. E costumo dizer que quando as pessoas se colocam acima das instituições, os resultados geralmente não são bons. O coletivo precisa estar acima do individual. Percebi também uma escalação equivocada, na minha opinião, no jogo contra a Bélgica. Por que insistir em Gabriel Jesus, quando Roberto Firmino estava melhor? Por que voltar com Marcelo se Felipe Luiz o havia substituído bem? Por que Renato Augusto não era titular? Por que Neymar Júnior não era substituído quando apresentava um futebol bem aquém da sua capacidade? Futebol é paixão para o torcedor! Contudo, para os gestores, futebol tem que ser tratado como uma empresa em que os jogadores são funcionários e são pagos para desempenhar com eficiência o seu trabalho. Perder e ganhar fazem parte do esporte. O problema é a postura, o comportamento e a gestão com foco no coletivo para o sucesso da empresa chamada seleção brasileira. E se analisarmos agora os nossos queridos times alagoanos, as considerações, guardadas as devidas proporções, devem ser as mesmas. CRB já transita pela elite da Série B há cerca de 20 anos (recentemente conseguiu duas vitórias seguidas e saiu da zona de rebaixamento e tem que manter essa postura daqui para frente para alçar voos maiores ainda no campeonato deste ano). CSA ficou 20 anos sem um calendário anual, longe da Série C e 25 anos sem participar da B. Precisa voltar a ?fazer o dever de casa? e continuar a ser um visitante ?indigesto?. Lamento pela campanha dos demais times alagoanos na série D (sequer passaram da primeira fase). Que CSA continue a ter um comportamento de time vencedor semelhante ao que conquistou o vice-campeonato da Série D e trouxe o único título brasileiro para o futebol alagoano ao ganhar a Série C no ano passado e que o CRB reencontre, de modo sustentável, o caminho das vitórias. Que suas respectivas comissões técnicas e diretorias foquem com eficiência nesse tão disputado (e desgastante) campeonato que é o brasileiro da Série B. Que não hesitem em trocar as ?peças? quando estas não estiverem funcionando e que o coletivo esteja acima do individual. Assim, nós, alagoanos, poderemos nos orgulhar de já em 2019 termos um ou, quem sabe, até dois times na elite futebol disputando a Série A. Enfim, não desprezo os aspectos emocionais e encantadores que o futebol traz, como a magia de unir povos durante uma Copa do Mundo. Em ambiente microeconômico é muito gostoso torcer e vibrar quando as redes do Trapichão (e dos demais estádios alagoanos) são estufadas. Mas para essas alegrias continuarem, diretorias, comissões técnicas e jogadores precisam estar afinados em busca do objetivo comum. Finalizo este artigo de modo saudosista ao recordar da primeira vez que meu pai me levou ao Trapichão, em 1981, quando eu tinha 7 anos de idade, para assistir à vitória do CSA 4 x 0 Mixto (time do Mato Grosso), lembrança essa que jamais sairá da minha memória.

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