Opinião
Relembrando Mandiba
Há exatamente cem anos, no dia 18 de julho de 1918, nascia o sul-africano Nelson Mandela, aquele que viria a ser o maior líder político de seu país e um dos políticos mais importantes da história recente da humanidade. Preso por 27 anos, acusado de sabotagem e luta armada contra o governo racista da África do Sul, ?Mandiba?, como era conhecido, acabou se tornando o primeiro presidente negro do país, ao ser eleito nas primeiras eleições livres e multirraciais. Apesar da enorme multiplicidade de grupos étnicos nativos, a África do Sul foi, ao longo do século XIX, colonizado por europeus, particularmente ingleses e holandeses. Aos poucos, foi-se estabelecendo um regime segregacionista conhecido como Apartheid, cuja característica mais importante do Apartheid é que transformava o racismo e o segregacionismo em uma política de Estado totalmente legalizada. Ainda na juventude, Mandela foi militante estudantil na luta contra o apartheid, inicialmente de forma pacífica. Com o passar dos anos, aderiu à luta armada. Posteriormente, acabou sendo preso, levado a julgamento e passou 27 anos na prisão. Nesse período de encarceramento, tornou-se um símbolo da resistência, motivando campanhas no mundo inteiro por sua libertação, o que só aconteceria em 1990, após intensas negociações com o então presidente sul-africano, Frederik de Klerk. Ambos receberam o Prêmio Nobel da Paz. Dias depois de ser solto, Mandela proferiu um discurso num estádio lotado com mais de 100 mil pessoas no qual defendeu um novo caminho de reconstrução nacional da África do Sul, pautado na conciliação pacífica entre as raças e no reconhecimento da nação como multiétnica. Aos 75 anos, Nelson Mandela se elegeu presidente e governou a África do Sul entre 1994 e 1999. Teria todos os motivos para promover um acerto de contas, um revanchismo contra a minoria branca, mas optou pelo caminho da reconciliação e foi o principal responsável pela transição para o fim do regime segregacionista e a construção de um novo país. Mandela será sempre lembrado como um homem que soube estabelecer as bases da convivência em um país devastado pelo receio de décadas de segregação e desigualdade. Nada mais necessário no momento atual, em que o mundo experimenta um radicalismo e uma polarização destruidores.