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De acordo com o Índice Global de Escravidão 2018, apresentado pela ONU na última quinta-feira, cerca de 40,3 milhões de pessoas em todo o mundo foram submetidas a atividades análogas à escravidão em 2016. No contexto do relatório, o conceito de escravidão moderna abrange um conjunto de conceitos jurídicos específicos, incluindo trabalho forçado, servidão por dívida, casamento forçado, tráfico de seres humanos, escravidão e práticas semelhantes à escravidão. De acordo com o documento, 71% das vítimas são mulheres, enquanto 29% são homens. Das 40,3 milhões de pessoas afetadas, 15,4 milhões estavam em casamentos forçados, enquanto 24,9 milhões se encontravam em condições de trabalho escravo. A Ásia representa 62% da estimativa global de pessoas em regime de escravidão. O Brasil registrou uma taxa de apenas 1,8 pessoas em condição de escravidão moderna para cada mil habitantes. Por outro lado, em números absolutos, o Brasil detém a segunda maior quantidade de pessoas em regime escravocrata na região, com 369 mil habitantes. Os EUA registraram 403 mil pessoas (1,3 para mil). A escravidão moderna no Brasil é encontrada na confecção de roupas e acessórios, em fazendas de gado, na exploração de cana-de-açúcar e madeira. Nas últimas décadas, porém, o País tem empreendido esforços para coibir essa prática. O Ministério do Trabalho, por exemplo, criou a ?lista suja? do trabalho escravo, que relaciona as empresas e empregadores flagrados por fiscais submetendo seus empregados a condições análogas à escravidão. De acordo com o Ministério do Trabalho, nos últimos 20 anos quase 50 mil trabalhadores em situação análoga à escravidão foram resgatados. Em 2014, o Congresso promulgou a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) do trabalho escravo, considerada uma grande conquista no campo dos direitos humanos. Entretanto, a aplicação da PEC depende de regulamentação e enfrenta um forte lobby da bancada ruralista, que defende a flexibilização do conceito de trabalho escravo. Essa reação provocou preocupação de entidades como a ONU. O fato é que a escravidão persiste em várias partes do mundo, sob formas que muitas vezes passam despercebidas. Trata-se de uma prática que fere a dignidade humana e deve ser combatida em todas as frentes, inclusive com a conscientização da sociedade.

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