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DE FRENTE PARA A VIDA

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DOM EDVALDO G. AMARAL * Páscoa é vida. É vida nova. É a Ressurreição do Senhor Jesus que com sua morte venceu o pecado e com sua ressurreição venceu a morte. A igreja está de frente para a vida. Ela é defensora intransigente e radical da vida. Propriamente, não é ela, mas é a doutrina cristã, o Evangelho de Jesus, que é o Evangelho da vida. A Igreja não tem a sua doutrina, criada por um clero celibatário ou não, do Oriente ou do mundo latino, formado por presbíteros e bispos celibatários ou diáconos casados. Nada disso é relevante. O que importa é que a Igreja tem de ser fiel ao Evangelho e anunciar ao mundo a doutrina cristã como Jesus pregou e conforme o ensinamento vivo e continuado através dos séculos, que a teologia chama de tradição. Essa doutrina deve responder às exigências dos tempos, mas fiel à verdade, sem se acomodar às mutações da história e aos desejos das paixões humanas. Isso lhe tem custado através dos tempos, perseguições, martírios, incompreensões e acusações injustas. Foi assim que a Igreja enfrentou, ao longo da história, a filosofia grega, o Império Romano, a Reforma do século 16, a Revolução Francesa, o Iluminismo com o culto à Razão e todos os adversários da doutrina de Jesus, que ela anuncia com humildade e destemor. A Igreja está de frente para a Vida. Por isso, a doutrina cristã condena o aborto como a eutanásia, a clonagem humana como qualquer outro desvio na origem da vida humana. Para a doutrina cristã, o sexo é sagrado, é divino. O pecado é que pode deturpar o sexo, como qualquer outra atividade humana. O sexo associa o Homem à obra criadora de Deus. O filho, nascido do amor na família, é a encarnação viva desse amor. É o amor que se faz pessoa, se faz gente. É a criação mais sublime do mundo. Eis por que a doutrina cristã (não a Igreja por si mesma) opõe-se ao sexo de puro e exclusivo prazer, o sexo exploração da mulher, o sexo irresponsável. Eis por que essa doutrina opõe-se à distribuição indiscriminada de camisinhas, sobretudo para adolescentes, porque nesse fato vê uma criminosa irresponsabilidade de promoção da promiscuidade sexual, julgando evitar as conseqüências desagradáveis do sexo, como seria contrair o vírus do HIV. É mentira afirmar que há apenas 1% de probabilidade de falha na camisinha. Já seria muito um por cento, convenhamos. Ninguém viaja num avião com a probabilidade de 1% de que ele vai cair... Estudos sérios, porém, fornecem dados seguros de probabilidade de falha muito mais elevada, dependendo do país de fabricação das malditas camisinhas. Alguns ainda voltam a lembrar o triste episódio dos padres pedófilos dos Estados Unidos. Fato certamente deplorável, muitos dos quais acontecidos há 30, 40 anos atrás, e só agora explorados por espertos advogados, em busca de polpudas recompensas financeiras. Os bispos americanos talvez foram fracos (não quero negar), talvez quiseram imitar a benevolência de Jesus no episódio da mulher colhida em adultério, que é narrado pelo evangelho de João, capítulo 8º. Ridículo, e até divertido, se não fora capcioso, é o velho e surrado argumento de que presbíteros e bispos da Igreja latina (vejam bem: só os da Igreja latina, sem incluir as igrejas católicas orientais) por serem celibatários, não se podem pronunciar sobre pontos de moral, referentes ao sexo, o amor, os filhos, o matrimônio, a família, e não sei mais o que. É o mesmo que afirmar que todo conhecimento só vem da experiência. É querer dizer que um médico (homem) obstetra não pode realizar um parto, simplesmente porque ele nunca deu à luz (!). E como é que o homem foi à Lua, sem nenhuma experiência anterior? Na literatura grega, se recorda a história de um filósofo, que abriu uma escola de eloqüência em Atenas, e alguém lhe perguntou como ele poderia ensinar eloqüência, sem ser bom orador. Ao que ele retrucou: ?E a pedra de amolar facas, corta??... Fiquem tranqüilos os inimigos da Igreja: ela é e continua de frente para a vida... (*) é arcebispo emérito de Maceió

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