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Calote no Brasil

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Pela terceira vez neste ano, a empresa americana AES, controladora da Eletropaulo, dá calote no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Em janeiro foram US$ 85 milhões, em março US$ 330 milhões e nesta semana US$ 250 milhões. A dívida é referente à compra da Eletropaulo, que foi privatizada (com recursos públicos), através de um empréstimo concedido pelo BNDES. No dia 30 de abril, decorridos noventa dias do primeiro calote, o BNDES poderá cobrar a dívida na justiça. A maioria dos especialistas em energia acredita que após a execução da dívida, a empresa será reestatizada. Será um mau negócio para o país, pois em troca de uma dívida de US$ 1,2 bilhão, o banco vai receber uma empresa cujo preço de mercado, é estimado em US$ 200 milhões. Se o problema se resumisse apenas a AES e a Eletropaulo, seria uma questão localizada e de resolução mais fácil. Mas o problema atinge indistintamente geradoras e distribuidoras. O governo está estudando medidas que permitam as geradoras encontrarem uma saída para um ?rombo? de R$ 5 bilhões. Uma das medidas especuladas é a venda da energia que está sobrando diretamente aos grandes consumidores industriais, no horário de pico, cuja tarifa é seis vezes mais cara. O que chama a atenção é o fato de que o consumo de energia atualmente esteja no mesmo nível de 1999. Isto significa baixo crescimento econômico, com graves reflexos na oferta de empregos. Embora tenha garantido que não haverá aumento de tarifas em decorrência da crise no setor elétrico, o Ministério da Energia esclareceu que o governo concederá financiamento às distribuidoras para compensar o reajuste parcial das tarifas, que contudo será pago pelos consumidores em 24 parcelas a partir do próximo ano. O setor elétrico precisa ser reorganizado. De nada adiantaram reajustes tarifários sempre superiores à inflação; custos não-gerenciáveis repassados integralmente pelas empresas e até o pagamento pelos consumidores de lucros cessantes, decorrentes do ?apagão?. Até agora, nenhuma medida concreta para mudar este quadro foi tomada.

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