Opinião
Campo violento
De acordo com balanço da ONG britânica Global Witness, pelo segundo ano consecutivo o Brasil foi o país maior número de mortes de ativistas ambientais. Foram 57 ativistas mortos em 2017, ano mais violento para os defensores do meio ambiente, segundo a organização. A maior parte das vítimas identificadas em 22 países estão na América Latina. Segundo o relatório, ativistas foram executados por se oporem a projetos florestais, agroindustriais ou propostos por empresas de mineração. Entre as vítimas estão líderes locais, encarregados de proteger a flora e a fauna selvagens, ou ?pessoas comuns?, que defendem suas terras. Um fator em comum entre os países com maior número de assassinatos são os altos índices de corrupção governamental. Para a ONG, os massacres mostram que não apenas os líderes da comunidade serão alvos. Isso tem um impacto enorme, dado que comunidades inteiras ? ou grandes partes deles ? estão frequentemente envolvidos em lutas para proteger sua terra. A organização alerta que, em vez de agir para acabar com os ataques, tanto o governo federal quando o Legislativo estão enfraquecendo leis e instituições que protegem terras e os direitos dos povos indígenas. Ao mesmo tempo, facilitam ações que provocam devastação humana e ambiental, que aceleram a exploração de ecossistemas frágeis. Conflitos agrários fazem parte da vida brasileira há muito tempo. O ano de 2017 foi marcado por massacres no campo, de acordo com relatório da Comissão Pastoral da Terra (CPT) divulgado em junho. A Pastoral da Terra também identificou um aumento nas disputas por água, a maioria em zonas onde atuam empresas de mineração. Em relação ao trabalho escravo, o número de denúncias se reduziu ligeiramente em relação a 2016 (de 68 para 66), em um ano marcado pela polêmica sobre sua definição. As tentativas para modificar o conceito de trabalho escravo para agradar à bancada ruralista vieram acompanhadas por orçamentos cada vez mais reduzidos e a redução do número de fiscais. O fato é que o País precisa urgente de uma política agrária que ajude a assentar o homem no campo ? não apenas distribuindo terra, mas também oferecendo crédito e assistência técnica ? e diminua as tensões no meio rural. Caso contrário, o Brasil continuará liderando o ranking da violência no campo.