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Debate em falta

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Durante evento realizado nessa sexta-feira, no Rio de Janeiro, a presidente do Supremo Tribunal Federal, ministra Cármen Lúcia ? que ocupava interinamente a Presidência da República ?, disse que vê o País dividido em ?uns contra os outros?. Cármen afirmou estar preocupada com o momento vivido pelo Brasil por ver uma multiplicidade de pensares, contradições e manifestações exasperadas. Para a ministra, é difícil ser um povo quando nos colocamos um contra os outros e não contra as ideias. A preocupação de Cármen Lúcia é pertinente. Nos últimos anos, o Brasil vem passando por um processo perigoso de polarização, em que o debate político foi substituído por um discurso de forte conteúdo emocional, que impossibilita o diálogo. Não se trata mais de defender uma causa, mas de jogar lama sobre quem pensa diferente. A falta de diálogo se traduz em panelaços, no enfrentamento nas ruas, no achincalhe público. No mundo virtual, a situação é ainda mais grave. A tecnologia permitiu o compartilhamento instantâneo de informações e quase sempre essa prática tem sido feita sem muita reflexão. Redes sociais como Facebook, Twitter e Whatsapp favorecem a replicação de boatos e mentiras, com a facilidade do anonimato. Grande parte dos factoides é compartilhada por pessoas nas quais os usuários têm confiança, o que aumenta a aparência de legitimidade das histórias, por mais absurdas ou sensacionalistas que possam parecer, o que acaba alimentando o ódio, o preconceito e o radicalismo. Agora, como há quatro anos, o País se prepara para mais uma grande eleição, na qual serão eleitos o presidente da República, deputados, senadores e governadores. Num momento em que o País atravessa uma grave crise econômica e política ? com alto índice de desemprego, baixo crescimento, escândalos de corrupção e descrença nas instituições ?, esse seria o momento ideal de debater projetos que possam tirar a nação desse cenário desolador. Entretanto, há grande risco, mais uma de vez, de perder essa oportunidade. Enquanto o povo se divide nessa guerra de ódio, estruturas políticas que atrasam o País continuam intactas. Espera-se dos postulantes a cargos públicos oferecer alternativas à população, por meio do bom debate de ideias.

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