Opinião
À procura da felicidade
Perguntaram-me: ?Qual a coisa mais importante da vida, professor?? Independente da subjetividade da questão, fiquei pensando nas coisas das quais o ser humano está à procura. Se eu fizesse a mesma pergunta a uma moça romântica, diria: ?Quero me casar?. A uma mulher já casada, sonharia com ?um ou dois filhos?. Há aqueles que querem juntar muito dinheiro; outros preferem apenas um trabalho; alguns objetivam a segurança de um concurso público; muitos se esforçam para se encontrar com Deus, por meio da religião. Eu já quis conquistar o mundo, já tive ambições financeiras e flertei com a fama por muito tempo: coisas da juventude. Agora, contando com a maturidade, ainda traço planos para o futuro, me concentrando em meu maior objetivo hoje: ser feliz. Isso parece papo de quem já não ambiciona algo grande e se acomodou à segurança adquirida com o tempo. Mas não é bem assim: pôr em evidência a felicidade cada segundo da vida me parece não só um raciocínio lógico, mas também meta essencial para se viver da melhor forma. Quem pensa desse jeito, e não abre mão dessa filosofia, pode ter certeza de que está no caminho certo, porque esta é a estrada indicada por Jesus Cristo no Novo Testamento. No fundo, o que importa é ser feliz. O poeta Mário Quintana foi preciso ao escrever sobre a felicidade: ?Vivemos conjugando o tempo passado (saudade, para os românticos) e o tempo futuro (esperança, para os idealistas). Uma gangorra, como vês, cheia de altos e baixos ? uma gangorra emocional. Isso acaba fundindo a cuca de poetas e sábios e maluquecendo de vez o homo sapiens. Mais felizes os animais, que, na sua gramática imediata, apenas lhes sobra um tempo: o presente do indicativo. E que nem dá tempo para suspiros...? Tudo o que faço hoje se baseia nesse contexto. Por isso não penso duas vezes em trocar qualquer compromisso para ficar, por exemplo, com meus filhos. Dizem que eu beiro a irresponsabilidade por dedicar grande parte do meu tempo a eles. Acho isso exagero. Se a ideia é viver bem, ser feliz e ter boas recordações para o futuro, estou fazendo o que manda o coração apaixonado de pai. Dia desses, em meio à agitação da vida e dos compromissos ?inadiáveis?, desliguei o celular e ?fugi? com minha filha para um parque de diversões. Enquanto brincávamos, eu não conseguia pensar em outra coisa senão como eu tinha descoberto o caminho da felicidade. Passar algumas horas com minha menina fez com que eu tivesse a certeza da necessidade de se viver intensamente, sem economias, sem arrependimentos ou sem medo. Confesso que saí dali com o coração cheio de amor, com a mente leve e com o espírito purificado (por estar do lado de quem amo tanto) ? essas são as três características da felicidade. Antes de sairmos do parque, minha filha foi logo perguntando: ?Papai, quando nós iremos repetir essa ?felicidade? novamente?? Não lhe respondi com palavras, mas sei que, ao olhar pra ela e sorrir, eu lhe passei o desejo da repetição daquele momento com a maior brevidade. Isso é a coisa mais importante da vida.