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Opinião

Dever cumprido

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Há alguns anos escrevo regularmente nesta Gazeta de Alagoas. A colaboração acentuou-se quando assumi uma cadeira na Câmara Federal. Encontrei aqui o espaço ideal para prestar contas das atividades como parlamentar e, também, o locus para refletir sobre a conjuntura nacional, internacional e sobre aspectos importantes da nossa querida Alagoas. Os artigos publicados resultaram num livro: Mandato Digno, lançado no ano passado. Agora, um novo livro é lançado: Dever Cumprido, no qual abordo as turbulências, dentre outros assuntos, de um ano que ficou para a história, 2016, com reviravoltas políticas, tragédias, mas também momentos de imensa solidariedade. O passado recente nos confunde. Algumas coisas, esquecemos, outras parecem ter ocorrido ontem e, de repente, a avalanche de informações nos envolve de tal maneira que não conseguimos tempo para refletir sobre nossa dimensão no tempo. Há pouco, a eleição de Donald Trump era vista como piada. Programas de humor deitavam e rolavam, e jornalistas sérios, ignorando as pesquisas, achavam que Trump não resistiria à campanha. Apostavam que os eleitores perceberiam as incongruências e não votariam nele. Ledo engano, e hoje, o mundo acorda todos os dias se perguntando: qual foi a última do Trump. No livro, afirmo: ?Trump foi eleito pelo povo, apesar do racismo, da xenofobia e do sexismo. Isso confunde e nos remete a um terreno imprevisível, onde o certo pode não ter amparo legal?. Vivemos algo semelhante no Brasil. O livro tem colaboração do jornalista Manoel Miranda. Nele tento destrinchar esse passado recente trazendo para nosso dia a dia as lições deixadas. Sobre as delações premiadas revi o caso Tiradentes, que foi julgado e condenado sem direito à defesa. Poucos sabem, mas o processo levou três anos. Enquanto permaneceu preso na Ilha das Cobras, no Rio de Janeiro, as delações ?premiadas? contra Tiradentes, obtidas mediante tortura, o conduziam ao cadafalso. Não houve contestação e Tiradentes foi enforcado. Infelizmente, não aprendemos com o que aconteceu com o mártir da Independência. Ao final do artigo em tese, aponto: ?Mirando o passado, vivemos um presente tortuoso do ponto de vista jurídico. O que vai ser decidido, parece que já foi decidido. Não há mais diálogo, apenas uma sede de vingança baseada no fato de que alguém lesou alguma coisa?, no caso de Tiradentes foi ?lesa-majestade?, hoje é algo inclassificável. Dever Cumprido foi lançado, inicialmente, em Delmiro Gouveia. Outros lançamentos se seguirão. O retorno tem sido gratificante. Nesses tempos de mensagens sincopadas, instantâneas, irreflexivas, propiciadas pelas redes sociais, manter o front da leitura é ato de resistência em nome da cultura.

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