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Opinião

Riacho Reginaldo-Salgadinho

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Teria muito mais a contar do que já contei sobre minha vida de menino do Farol, onde jogava futebol na Fernandes Lima. De quando em vez, com os companheiros de aventuras, descíamos as íngremes ladeiras dos sítios onde morávamos em busca da nascente do Reginaldo, até que em certo dia descobrimos o almejado Poço Azul! Sim, de informações já sabíamos o seu nome! Foi uma alegria enorme quando o encontramos depois de andarmos às quedas quase uma légua! Suas águas azuladas quase da cor de anil valeram o nome batizado! De quando em vez nas nossas andanças tentávamos mudar de direção para nos aproximar de sua foz na Praia do Sobral, mas nunca a alcançamos, com receio de encontrarmos com a maré cheia. Os Caetés, nossos antepassados, chamavam o riacho que se espraiava próximo à praia de Maçai-o-k, aquele que tapa o alagadiço e seus habitantes a seguir adotaram a corruptela Maceió, assim como o povoamento que surgiu em suas margens. O historiador Ediberto Ticianeli, em seu bem postado site sobre História de Alagoas, nos remonta aos tempos do crescimento de Maceió para a região da Mangabeiras, onde o proprietário de terras banhadas pelo famoso riacho era Reginaldo Correia de Melo, daí seu nome até hoje . Caudaloso quando das chuvas de inverno cresce seu nível, que em poucas horas escoa rápido, a depender das marés. E foi numa de suas cheias que em 1924 destruiu a ponte dos Fonsecas, que tinha 116 pés de comprimento, daí ter confundido alguns estudiosos por 120,00 m de vão total. Foi reconstruída no governo Costa Rego pelo engenheiro Singaud, agora por aqui recém-conhecido concreto armado. Em sua mensagem governamental de 1926, o governador Costa Rego esclarece que ?em vista do terreno, no local da antiga ponte, apresentar grandes dificuldades a trabalhos de abertura de fundações, pareceu mais econômico ao construtor aproveitar os dois encontros existentes, os quais, havendo resistido aos empuxos da grande cheia de 1924, comprovaram sua estabilidade?. Rendo minhas homenagens ao Singaud por ter sabido tirar partido dos seus conhecimentos ao adotar três vãos como solução mais econômica. Na década de 1940 inicia-se campanha para desvio do riacho para a Praia da Avenida. Argumentavam muitos proprietários, com frente para aquela praia e fundos para a Rua Silvério Jorge, a sujeira que era trazida pelas suas águas e principalmente pelos ?sólidos? flutuantes que os incomodavam. Em meu livro Paixão Incalculável descrevo a atitude dos heróis que com ?discursos veementes, e os ?camisas-verdes? em perfeita harmonia com a esquerda comunista da época, gritando e talvez correndo da polícia de Silvestre? lutam para que o desvio do Salgadinho, agora assim já alcunhado trecho do Reginaldo, não fosse realizado! Chega o inverno de 1949 e na madrugada de 19 de maio uma verdadeira tromba-d?água inunda nossa cidade e lá se vão muitas casas destruídas, ponte colocada no mar pelo enfurecido Salgadinho e o mais lamentável, a perda de vidas acima de meia centena ! Ao concluir, faço um apelo a todos responsáveis por Alagoas e em particular Maceió para salvar o poluído e quase morto Reginaldo-Salgadinho. Deodoro e Floriano agradecem!

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