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Opinião

O lado mais fraco

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Especialistas do Escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos divulgaram um documento com críticas à condução da política social no Brasil, afirmando que a atenção aos menos favorecidos tem sido deixada de lado. Os analistas alegam que houve cortes orçamentários em programas que beneficiam pessoas que vivem em situação de pobreza e exclusão social. Eles destacam, por exemplo, o programa Minha Casa Minha Vida, que teria sofrido, segundo eles, ?cortes drásticos?, e a redução de investimentos nas áreas de saneamento, saúde e educação. O grupo também aponta como fato negativo o aumento da mortalidade infantil, indicando as infecções por zika vírus como um dos fatores para este resultado. Para o Escritório do Alto Comissário das Nações Unidas, as medidas adotadas pelo governo brasileiro precisam avançar. Ainda que o governo ressalte algumas medidas adotadas para mitigar os efeitos adversos dessas decisões econômicas, de acordo com a informação que recebemos, essas medidas são em grande medida insuficientes Nos últimos anos, o Brasil estabeleceu uma rede de proteção social, por de diversos programas, que provocaram uma pequena revolução. Em 2014, o País saiu da lista da fome, quando foram divulgados os índices mais recentes da Escala Brasileira de Insegurança Alimentar, pesquisa realizada a cada cinco anos. Os dados mostravam que, em 2013, cerca de 3,2% da população, aproximadamente 3 milhões de domicílios, viviam em situação de insegurança alimentar grave ? índice mais baixo que o Brasil atingiu. A queda representou 28,8% em relação a 2009, quando 5% da população brasileira vivia em situação de intensa privação de alimentos. Entretanto, nos últimos anos o governo vem implementando um duro ajuste fiscal que tem atingido em cheio os programas sociais. Os cortes nesses programas, o agravamento do desemprego e a precarização do trabalho ameaçam jogar o País novamente no mapa da fome. Os efeitos têm sido nefastos. Após 13 anos de queda consecutiva, a taxa de mortes de crianças antes de completar um ano de vida cresceu 11% entre 2016 e 2017. Já o percentual de crianças menores de cinco anos desnutridas aumentou de 12,6% para 13,1% no período. Ou seja, o sinal vermelho se acendeu.

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