Opinião
Não há retorno após o Rubicão
Nenhum outro estadista romano foi mais ousado que Julio Cesar. Um dos maiores generais da história romana se destacou pelas suas vitórias em diversas batalhas. Ambicioso, uniu-se aos dois senadores de maior influência política: Pompeu Magno e Crasso; a este último, deu em casamento a sua filha Julia. A aliança criou o Triunvirato, um governo dividido entre os três, ele exercendo o cargo de cônsul da República Romana. Mas foi depois que conquistou toda a Gália, atual França, enviando a Roma despojos de guerra valiosíssimos, também ficando com boa parte, que recebeu do Senado romano ordem de se apresentar para julgamento, uma vez que suas ações não tiveram autorização. Julio Cesar só tinha dois caminhos: ou se entregava ou entrava em Roma com seu exército, iniciando uma guerra civil. Bastava para isso atravessar o Rio Rubicão. E ele o fez. Em outubro, o povo brasileiro vai também atravessar o Rubicão. É uma escolha que não tem volta. Sobretudo, na presidencial e, diga-se de passagem, que é a mais difícil. Ouso a arriscar que, a cada 10 brasileiros, apenas 1 tem candidato a presidente. Esta semana, duas manchetes jornalísticas nos chamam atenção. A primeira, do Blog do Esmael, que diz: ?STF planeja soltar Lula somente depois das eleições presidenciais?. A outra, do jornal Folha de S.Paulo, do blog de Daniela Lima: ?Ministros do STF dizem que caso Lula precisa decantar e descartam liberdade em 2018?. São declarações que, por uma questão de isenção política, nunca deveriam ser dadas, sobretudo, pelo STF. Acirra ainda mais a tese da prisão política. E essa crença na inocência de Lula aumenta ainda mais à medida que se apresentam outros candidatos ao cargo máximo da República. Nenhum deles tem o carisma de Lula nem está tão próximo dos anseios do populacho. Nem mesmo Marina, com sua cara sofrida, confere a mesma autoridade. Voltando à Roma antiga, Julio Cesar nunca perdeu o apoio popular, mesmo quando se tornou ditador. E quem o assassinou foi o Senado que nunca representou o povo romano. Mas a verdade é que o País está contaminado pela ideia de conspiração contra Lula. Um exemplo mais claro é o do embaixador do Brasil em Washington, Sérgio Amaral, que defendeu a prisão política de Lula, em resposta ao manifesto de congressistas americanos, que defendem o direito do ex-presidente participar das eleições. Portanto, não sejamos ingênuos, a liberdade de Lula significa atravessar o Rubicão, igualmente, a Julio Cesar. A analogia é apenas da situação. Se sair da prisão, Lula está eleito. Se isso gera medo nos adversários, não sei. Da mesma forma que não sei sobre a teoria da conspiração, embora o assunto seja pauta nas redes sociais.