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Opinião

Política, catarro e pus

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Meu sentimento de repulsa pela política se resume nessas palavras de Rachel de Queiroz: ?Os ?donos? do Brasil se embalam, portanto, numa falsa segurança. Pois, se há país sem dono, é este. Se há país desenganado, envergonhado de si mesmo, vencido, faminto, nu, doente, analfabeto, irritado, é este?. Diga-se, ?donos? é sinônimo de ?gestores públicos?. O País está passando por uma crise política tão grande que o enfraquece cotidianamente. Por isso, até entendo por que a população se desgasta quando o assunto é política (eu também sinto essa repugnância pelo que vejo sempre), só não existe motivo para que se duvide do poder da transformação social. No coração da sociedade, ainda vive, mesmo que meio adormecida, a vontade de viver num país onde a política não seja tão pífia, onde os políticos trabalhem para o povo e se tenha a segurança de que as leis sejam aplicadas para todos ? independente da classe social. O questionamento sobre o assunto tem perguntas claras e respostas óbvias: de que setor público a população se orgulha? Com quais escolas públicas os pais podem contar para proporcionar aos filhos educação de qualidade? Que hospital público é tão equipado a ponto de atender com dignidade a população carente? E quem confia na segurança pública quando dela precisa? Para todas as perguntas, a mesma negativa. E para quem ainda se pergunta qual a relação da política com tantas áreas diferentes ? a resposta é: a mais estreita possível. Afinal, a população possui que arma para lutar contra essa desordem social que se espalha em todo o País? O poder de votar. Examinando o assunto a fundo, percebe-se que somos todos vulneráveis, ninguém está seguro: nem os políticos (com seus carros blindados e suas mansões fortificadas) estão livres do caos no qual eles mesmos nos meteram; muito menos a população se sente protegida dos males do cotidiano e vivem na Lei da Selva (na qual impera o ?cada-um-por-si-e-Deus-por-todos?). Os casos de roubalheira política revelados pela imprensa, cada cidadão morrendo à míngua na porta de hospital, crianças sem escola decente e tributos vertidos em enriquecimento ilícito ? esse conjunto de aberrações é o cenário do Brasil atual. A única proteção que nos resta é o voto. Por que não dar uma ?negativa? para o político que nos pede voto e, na primeira oportunidade, desvia a merenda das escolas? Por que não expulsar da vida pública (tal qual catarro e pus dum corpo precisando de purificação) esse grupo de engravatados? Perguntemo-nos o porquê. Numa síntese exata, temos a afirmação: político é funcionário público que recebe bem para trabalhar em prol de todos. Sua atividade se resume em encontrar caminhos para o bem-estar social, proporcionar assistência aos menos favorecidos e fazer com que a população se sinta satisfeita com os serviços públicos (mesmo que se tenha de pagar impostos altíssimos para isso). Quem não se enquadra nesse perfil de candidato a cargo público deve ser deixado de lado nas eleições ? e quem tem esse poder de recusa é o próprio cidadão, com a arte de votar bem e consciente.

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