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Opinião

Sem estrutura

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A escalada dos homicídios no Brasil reflete a grave crise de segurança pública pela qual passam alguns dos principais centros urbanos do País. Os fatores para o aumento da violência são vários e passam por aspectos sociais e culturais, mas também envolvem o sucateamento do aparelho policial. Em Alagoas, não é diferente. Como mostra a reportagem deste fim de semana da Gazeta, a Polícia Judiciária de Alagoas, ou seja, a Polícia Civil, passa por um momento complicado, com estrutura precária nas delegacias e pouco pessoal ? agentes, delegados e escrivães ? para atender às demandas em todo o Estado. Para se ter uma ideia, há, atualmente, uma carência de 210 delegados em Alagoas. Lei estadual prevê cerca de 4 mil agentes efetivos no Estado, mas o efetivo da Polícia Civil, hoje, é de menos da metade. O último concurso realizado pela instituição foi em 2012, e muitos agentes estão próximos da aposentadoria. Também há carência de viaturas e algumas delegacias se encontram em condições precárias. São problemas estruturais que dificultam o combate à criminalidade. Evidentemente que as deficiências vêm de muito tempo, mas se mantiveram no atual governo e, em alguns casos, até se agravaram. O combate à violência não se resume apenas à repressão ao crime. Esse problema só será superado, ou pelo menos minorado, quando o País tiver uma melhor distribuição de renda e todos tiverem acesso à saúde, educação, lazer, igualdade de oportunidades. Enquanto essas questões não são resolvidas, os efeitos da violência devem ser combatidos com vigor para evitar a sensação de impunidade, que funciona como estímulo à criminalidade. Para isso, é necessário que haja uma polícia bem preparada e valorizada, que tenha todas as condições de agir no combate ao crime, dentro dos limites da lei. O poder público deve incentivar uma integração entre as polícias Civil e Militar, cada qual com uma competência previamente delimitada. Infelizmente, os investimentos feitos em Alagoas na área de Segurança Pública têm se mostrado insuficientes para atender à demanda da sociedade. Enquanto isso, vemos com preocupação as notícias de que facções criminosas surgidas em outros Estados estendem seus tentáculos por estas bandas. Sem polícias bem equipadas e treinadas, não há como competir com a bandidagem.

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