Opinião
A P�scoa
DOM JOSÉ CARLOS MELO, CM * Hoje, no mundo inteiro, a Igreja celebra o Dia da Páscoa, conduzindo-nos ao mesmo tempo a um grande período do ano, chamado ?tempo Pascal?. É o momento de intensa alegria que nos faz reviver Jesus Cristo ressuscitado, vencedor da morte e do pecado e tempo que conduz em nossa vida o próprio Cristo Senhor, princípio da vida, origem e autor da luz, como Ele mesmo o declara: ?Eu sou a luz. Se alguém caminha de dia não tropeça? (Jô 8,12;11,9). Na história da Salvação, distinguimos a Páscoa em quatro momentos distintos: A Páscoa do Senhor, isto é, a passagem salvífica do Senhor entre seu povo na noite da saída do Egito, libertando-o da escravidão. A Páscoa dos judeus, como memorial ou recordação da antiga Páscoa vivida pelo povo de Israel como celebração anual prescrita pelo Senhor na imolação do cordeiro. A Páscoa de Cristo, novo cordeiro imolado e oferecido sobre cruz, com a oferta do seu sangue pela salvação dos homens: ? É sua passagem deste mundo para o Pai? (Jô 13,1), através da Paixão, morte e Ressurreição. Enfim, a Páscoa da Igreja, celebrada sacramentalmente no ?Mistério?, cada ano, mas também semanal e cotidianamente no rito Eucarístico. Nesta solenidade, compreendemos que esta é a imensa graça dos mistérios que celebramos, é este o dom da Páscoa, a grande festa anual tão esperada, princípio da nova criação. Entendemos que na Páscoa toda nossa alegria nasce desta certeza: Cristo foi verdadeiramente crucificado, verdadeiramente sepultado e ressuscitou verdadeiramente. Tudo isso resultou para nós um dom de graça, que, pela participação de sua paixão, nos assegura a realidade da salvação. A Epístola de São Paulo aos Romanos afirma: ?Cristo ressuscitado dos mortos não morre mais? (Rm 6,3-11). O Batismo, que é a Páscoa de Jesus que se faz nossa Páscoa, enxertou-nos em Cristo morto e ressuscitado, fazendo-nos participar do seu mistério de vida, libertação e de aliança com Deus. Isso exige de nós uma conduta pascal reassumida na morte para o pecado e na vida para com Deus e em Deus, Com efeito, pelo batismo quem está em Cristo é uma nova criatura, como nos lembra São Paulo. Essa vida nova em Cristo ressuscitado com sua fecundidade e força é traduzida nos diversos símbolos pascais. A Páscoa com razão é a celebração da alegria pela vida nova e pela ressurreição de Jesus, como lembra santo Agostinho: ?Com o canto do Aleluia, nós expressamos a época de alegria, de repouso e de triunfo, representada aqui embaixo pelos dias do tempo pascal. Portanto, ainda não possuímos o objeto dos nossos louvores, mas suspiramos à procura do verdadeiro Aleluia?. A esta altura, é oportuno recordar aqui, dentro do Ano Eucarístico, as palavras do papa João Paulo II na mensagem aos sacerdotes do mundo inteiro por ocasião da Quinta-Feira Santa: ?Sempre que celebramos a Eucaristia, a memória de Cristo no seu mistério pascal torna-se anseio pleno e definitivo com Ele?. (*) É ARCEBISPO METROPOLITANO DE MACEIÓ