Opinião
Enchentes no São Francisco?
Ao longo das estiagens que se prolongam desde 2013 no Rio São Francisco e sua bacia hidrográfica, tomou corpo a impressão coletiva de que não teremos mais enchentes. Ou pelo menos as populações ribeirinhas deixaram se trair pelo tempo e já não pensam mais nisso. Mas é aí que mora o perigo. Enchentes sempre virão, muito embora, no século do aquecimento global, mais espaçadas e, geralmente, mais destrutivas. Deixar-se enganar pelas aparências do clima é perigoso e nos cobra, à sociedade como um todo, um alto preço em vidas humanas e bens materiais. De 2013 a 2016, secas e inundações afetaram 55,7 milhões de brasileiros(as), o que representa algo em torno de 25% da nossa população. O custo médio desses eventos críticos, no período citado, chegou a 9 bilhões de reais por ano. Os dados são da Agência Nacional de Águas (Conjuntura dos Recursos Hídricos no Brasil, 2017). Foi pensando nesse assunto e por força das diretrizes e metas do seu Plano de Recursos Hídricos, que o Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco decidiu, com a colaboração de várias instituições parceiras, realizar três reuniões públicas nas regiões do Baixo, Submédio e Alto São Francisco para fazer um balanço dos processos de ocupação irregular das áreas ribeirinhas inundáveis e, além de conscientizar as populações locais, avaliar o estado de preparação das prefeituras, dos Estados, da Defesa Civil e organizações sociais para o enfrentamento das cheias. A primeira dessas reuniões está marcada para o próximo dia 31 de agosto, a partir das 10 horas da manhã, no campus do IFS da cidade ribeirinha de Propriá, voltada principalmente para o público de Alagoas e Sergipe. Depois, se estenderão a Petrolina(PE) e Pirapora (MG). Em todas elas, a ANA e as empresas hidrelétricas farão um histórico das enchentes na calha do Velho Chico e darão explicações sobre os protocolos e planos de ação que comandam a operação das grandes barragens em tempos de cheias. Será um exercício de recuperação da memória dos acontecimentos pretéritos, algo que se configura como o melhor ponto de partida para a criação de uma cultura permanente do planejamento e da ação cautelar para que lágrimas não venham a ser vertidas em tragédias que podem ser evitadas.