Opinião
Aluno, público a que temos de servir
Mais uma vez, desmorona um ano letivo nas escolas públicas municipais de Maceió. Planejamentos feitos sucumbiram a mais uma greve. A educação que agrega valor a qualquer desenvolvimento que se deseja sustentável é usada nos discursos quando se quer atingir metas, ideais, sejam eles quais forem. Os professores das escolas públicas municipais de Maceió estão em greve, deixando de contribuir para o pleno desenvolvimento das crianças de creche, educação infantil e ensino fundamental do 1º ao 9º ano. Com efeito, a ausência dos professores nas salas de aula acarreta muitos prejuízos à comunidade escolar. Tira o foco do trabalho docente, desorganiza o calendário, torna inviável qualquer planejamento, desmotiva alunos de todos os segmentos. Inviabiliza o desenvolvimento dos projetos federais nas escolas, como o Novo Mais Educação, Mais Alfabetização, citando apenas dois dos que estão com os recursos parados nas contas das escolas aguardando pelos alunos que necessitam de reforço escolar, bem como alimentar a participação deles em atividades complementares permanecendo mais tempo na escola. Não precisa ser especialista para concluir que o ano letivo de 2018 adentrará 2019, trazendo uma série de prejuízos para os alunos que migrará, qualquer que seja o motivo, da rede municipal para estadual ou particular. ?Discordar de um lado não significa concordar com o outro?. Perdas salariais não são motivadoras para nenhum trabalhador que sente no bolso os reflexos na alta dos preços diariamente. Contudo, esse modelo de greve que prejudica a comunidade escolar mais carente, que vive em área de vulnerabilidade social e que depende exclusivamente da rede pública de ensino para se tornarem cidadãos melhores e exercer seu papel na sociedade de forma digna, não corrobora com reivindicações de direitos, sejam eles quais forem. Numa decisão liminar provisória, o desembargador Fábio José Bittencourt Araújo reconheceu a legalidade da greve, que teve início em 17 de julho de 2017, mas determinou que o Sindicato dos Trabalhadores da Educação de Alagoas (Sinteal) mantenha o percentual de 63,68% dos servidores em atividade, em cada escola pública municipal. Decisão polêmica e difícil de cumprir devido às especificidades que existem em cada escola. E, sem acordo, a greve continua. Advém daí prejuízos imensuráveis, irreparáveis. Lutar é necessário, justo, imprescindível. Porém, parar a educação não vai resolver nem chegar a lugar nenhum. Vale lembrar que os estudantes são o público a que temos de servir. Servidores públicos, façam da legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência as norteadoras do seu serviço.