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Legião de desalentados

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Dados da Pesquisa Nacional Por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), divulgados ontem pelo IBGE, revelam que o País ganhou 838 mil novos desalentados no período de um ano. Desalentado é o termo usado pelo instituto para designar aquele trabalhador que simplesmente desistiu de procurar emprego depois de vários insucessos. Em apenas um trimestre, 202 mil pessoas a mais aderiram à situação de desalento. Embora a taxa de desocupação esteja menor em relação a um ano atrás, a geração de vagas não acompanhou o avanço na população em idade de trabalhar. A taxa de desemprego deixou de aumentar porque cresceu também o desalento. A população desalentada alcançou o patamar recorde de 4,833 milhões de pessoas no segundo trimestre deste ano, um avanço 21% em relação ao segundo trimestre do ano passado. Desde o início da crise, em 2014, o número de pessoas procurando trabalho há mais de dois anos aumentou 162%, para o montante recorde de 3,162 milhões de desempregados nessa condição. A população inativa, formada por pessoas em idade de trabalhar que nem têm emprego nem procuram uma vaga, alcançou o recorde de 65,642 milhões no segundo trimestre de 2018. Desses, 8,162 milhões são considerados força de trabalho potencial, porque poderiam ou gostariam de trabalhar caso surgisse uma vaga. Ou seja, 60% de quem está na força de trabalho potencial estão desalentados. Entre as unidades da federação, Alagoas (16,6%) e Maranhão (16,2%) registraram a maior taxa de desalento. Para analistas, o número recorde de desalentados revela que o contingente de desempregados pode ser muito maior. Isso porque desalentado é aquele trabalhador que desistiu de procurar emprego e que isso não significa que ele recusaria uma vaga se lhe fosse oferecida. Muitos desses desalentados sequer têm dinheiro para pagar passagem e procurar emprego. A questão atual do desemprego no Brasil é, portanto, ainda mais grave do que se pensa. É necessário que o País volte a crescer o mais rápido possível. Mesmo assim, a recuperação deverá continuar sendo bem lenta. Todas as esperanças ? ainda que poucas ? se voltarão para o próximo governo, que deverá dar respostas mais rápidas a essa crise que tem resistido além da conta.

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