Opinião
Nova estratégia
Os crimes relacionados ao tráfico de drogas representam quase 30% de tudo o que se julga na Justiça penal brasileira. E a maioria dos crimes violentos está ligada de alguma forma ao uso de entorpecentes ilícitos. Pesquisas já mostraram que, dos adolescentes internados em cumprimento de medidas socioeducativas no Brasil, 75% são usuários de entorpecentes. Para dar uma melhor solução jurídica à questão, a Câmara dos Deputados instituiu uma comissão formada por juristas, professores de Direito, membros do Ministério Público e pelo médico Dráuzio Varela para preparar um anteprojeto e atualizar a Lei Antidrogas, que está em vigor há 12 anos e não conseguiu produzir resultados satisfatórios. A ideia é fazer um debate ?equilibrado? sobre o tema e promover uma audiência pública para discutir o texto a ser elaborado. Não é de hoje que o Brasil vem perdendo a guerra contra as drogas. E não é por falta de repressão. Um em cada três presos no País responde, hoje, por tráfico de drogas. Se antes as cadeias estavam lotadas de condenados por roubo e furto, agora abrigam milhares de pessoas que respondem pelo crime de tráfico ? parte delas ainda sem julgamento. Em 2006, quando a lei antidrogas começou a valer, eram 31.520 presos por tráfico nos presídios brasileiros. Em 2013, esse número passou para 138.366. Agora, são ao menos 182.779. Mesmo assim, o consumo de drogas continua em alta no País. E o que é pior: o Brasil se tornou o segundo maior consumidor do mundo de cocaína e derivados, como o crack. O fato é que não só no Brasil, mas no resto do mundo, a política de combate às drogas tem se mostrado ineficiente. As drogas estão mais baratas, mais puras e mais acessíveis do que nunca, e o consumo delas só aumenta. A ONU estima que o tráfico movimenta 400 bilhões de dólares no mundo, equivalente ao PIB do México. O mundo busca uma nova forma de lidar com o problema, e em várias partes uma das medidas foi a legalização de algumas drogas, como a maconha, como forma de combater o tráfico. É uma questão polêmica, que gera muitas discussões acaloradas. A comissão da Câmara terá um grande desafio de propor uma nova política, inspirando-se nas experiências internacionais. O problema está aí, à vista de todos, e precisa ter toda a atenção que merece.