Opinião
Futuro comprometido
O Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) divulgou uma pauta de desafios e ações consideradas necessárias para obter avanços em áreas, como saúde, educação e segurança. O documento será enviado para todos os candidatos à Presidência da República, e o fundo buscará encontrar os políticos para tratar das propostas. Para o Unicef, os direitos das crianças e dos adolescentes precisam ocupar um espaço prioritário nas eleições deste ano. O fundo avalia que o País teve muitos avanços nos últimos anos em questões, como educação, redução da pobreza e da desnutrição crônica. Entretanto, ainda vive um cenário em que é preciso impedir retrocessos e responder a problemas que vêm se agravando. De fato, dados recentes divulgados pelo IBGE mostram que a pobreza ainda é uma realidade para 61% das crianças e adolescentes brasileiros. Cerca 19% das crianças ? ou 10,2 milhões de pessoas nessa faixa etária ? sofrem com vulnerabilidade extrema. A situação é mais grave quando é avaliada a situação da população negra e a das regiões Norte e Nordeste. Também não se pode deixar de citar os altos índices de homicídios de jovens no País. São 31 crianças e adolescentes assassinados no Brasil a cada dia, o que faz do País o lugar do mundo em que mais pessoas nessa faixa etária são assassinadas. A maior parte dessas mortes ocorre por disparo de armas de fogos. Os dados levam à conclusão de que, no Brasil de hoje, é mais perigoso ser adolescente do que ser adulto. Até mesmo os avanços obtidos nos últimos anos estão ameaçados. Em 2016, pela primeira vez em 26 anos, as taxas de mortalidade infantil e na infância cresceram. E, desde 2015, as coberturas vacinais ? que vinham se mantendo em patamares de excelência ? entraram em uma tendência de queda. É preciso que o poder público tenha políticas concretas de proteção à criança e ao adolescente, abrangendo as mais diversas áreas, como educação, saúde, esporte, lazer, cultura e qualificação profissional, sobretudo na periferia das grandes cidades. A ausência dessas políticas públicas, agravada pelo alto grau de vulnerabilidade social, está empurrando nossos jovens para caminhos perigosos. Trata-se de uma omissão que já está custando muito caro ao País e trará ainda mais problemas no futuro.