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Disparada do dólar volta a preocupar a economia

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Há poucos meses, escrevi aqui neste jornal sobre a alta do dólar, que chegou à casa do US$ 1,00 = R$ 3,90. Novamente, o dólar volta a disparar e numa intensidade bem maior (agora, US$ 1,00 = R$ 4,09) e, com isso, os agentes econômicos voltam a ficar preocupados para estimar até onde essa disparada poderá chegar e quais as consequências tanto para a economia brasileira quanto para o bolso de cada um de nós. Confesso que já esperava uma depreciação cambial do real (perda de valor da nossa moeda em relação ao dólar), nessa época, em função das incertezas que marcam um período eleitoral. Mas me assustei com a alta que o dólar já havia se antecipado em maio e em junho, sobretudo por fatores externos como novas perspectivas de altas dos juros americanos e depois por conta dos problemas da Turquia. Talvez essa depreciação prévia contribuiu para que a depreciação atual tenha sido bem maior e o dólar comercial tenha ultrapassado a casa dos R$ 4,00 (situação que não acontecia há pouco mais de dois anos). Pode ser que haja algum componente especulativo, mas é bem verdade que as incertezas quanto aos rumos dessa atual eleição para presidente têm sido as principais responsáveis pela disparada do dólar. As pesquisas de opinião começaram a ser divulgadas. Existe ainda alguma indefinição se Lula será ou não candidato, e tudo indica que não será. Contudo, não se sabe até quando essa situação se arrastará. O que dificulta ainda mais as tomadas de decisão dos eleitores. E, para os empresários, a situação é pior, pois, quanto mais incerto o futuro, menos propensos a ampliarem a produção e a realizarem novos investimentos eles estão. Isso somente adia a recuperação da economia brasileira, que apresenta um contingente superior a 13 milhões de desempregados. E isso vira um ciclo vicioso. Menos empregos, menor consumo, menor investimento empresarial (que contribui ainda mais para aumentar o desemprego), menor arrecadação tributária (que prejudica o caixa do governo em todas suas esferas) etc. Vale ressaltar que precisamos com urgência de uma reforma tributária que seja justa e que combata as regalias de determinadas classes privilegiadas, pois a população não aguenta mais pagar tantos tributos. Dólar mais alto preocupa também o nosso bolso. Pois muitos produtos que compramos no supermercado são importados ou têm componentes importados em sua fabricação. Tais vão ficar mais caros e isso pode alimentar a inflação. Se a inflação voltar a preocupar e o dólar mantiver essa trajetória de alta, o governo poderá voltar a subir a Selic (atualmente, está no melhor patamar histórico, a 6,5% ao ano). Juros altos somente adiam a recuperação da economia e aumentam os gastos com pagamentos dos serviços da dívida pública. Será um remédio amargo! Faço votos que, durante a campanha, os projetos dos candidatos à Presidência vão se tornando mais claros para a população de modo a diminuir incerteza. Assim, o câmbio poderá se acomodar e até voltar a cair.

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