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Não é de hoje que Alagoas apresenta baixos indicadores sociais. De acordo com dados do IBGE, somos o terceiro Estado com maior índice de pobreza. Quase metade dos alagoanos (47,4%) tem renda familiar equivalente a R$ 389. Em 2015, uma auditoria do Tribunal de Contas da União identificou deficiências no capital humano do Estado, como altos índices de analfabetismo, baixa qualificação da mão de obra local e baixa qualidade da educação básica oferecida pela rede pública de ensino. Nesse aspecto, apesar de alguma melhoria registrada nos últimos anos, os indicadores ainda são vexatórios. Os números do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) reforçam a posição de Alagoas entre os piores lugares do País em relação à qualidade do ensino público. A mais recente Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), do IBGE, apontou que Alagoas continua no topo da lista de analfabetismo no País. De acordo com o estudo, a taxa de pessoas que não sabem ler e escrever no Estado é de 18,2%. A estatística deixa Alagoas à frente de Maranhão (16,7%) e do Piauí (16,7%), que também chamam a atenção pelas taxas elevadas. Logo em seguida, aparecem Paraíba, com o percentual de 16,5; Sergipe, com 14,5%; e Rio Grande do Norte, com 13,5. Constata-se, então, que a educação continua a ser uma das principais deficiências do Estado, e o cenário não é animador. Reportagem deste fim de semana da Gazeta mostra que o ensino público ainda deixa muito a desejar. Estudantes se queixam da falta de estrutura das escolas. Alguns prédios precisam de reformas e em muitas unidades faltam computadores, biblioteca e outros equipamentos complementares para melhorar a dinâmica das aulas. Esses fatores ajudam a explicar o alto índice de evasão escolar: 28 mil estudantes que abandonaram a sala de aula. Os professores, por suas vezes, convivem com baixo salário ? o menor piso do Nordeste ? e reajustes abaixo da inflação. A categoria diz que a defasagem chega a 40%. Não é à toa, pois, que o interesse pela carreira docente vem diminuindo cada vez mais. Em período eleitoral, é comum a educação ser destacada em discursos. Entretanto, é preciso que os discursos se transformem em ações concretas, para que Alagoas venha a superar esses índices tão vexatórios.

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