Opinião
Venha o teu reino
Em tempos de eleições, em que cada candidato busca estabelecer o seu reinado, reflitamos um pouco sobre essa questão olhando do ponto de vista do Reino de Deus. O Reino de Deus é uma realidade celestial, magnífica e bem-aventurada, porque reflete aquilo que Deus é. No Reino de Deus, não há espaço para o pecado, a injustiça, a maldade, a dor e a morte. É o Reino da vida santa, bela, esplendorosa. Adão e Eva habitavam esse Reino, na dimensão do Jardim do Éden, o Reino de Deus aqui na terra, em toda sua beleza e esplendor. Porém, com a desobediência, o ser humano perdeu sua santidade e pureza e, por isso, não pode permanecer no Reino de Deus, puro, santo e perfeito. Os portões se fecharam. E essa é a razão de Cristo na cruz. Toma sobre si minha culpa, assume e suporta o meu castigo, enfrenta morte e inferno, para me reconciliar com Deus e me dar acesso ao Reino de Deus na eternidade. Ao orarmos ?Venha o teu Reino?, suplicamos que o Pai Celeste, por meio do Espírito Santo, nos conceda a verdadeira fé e, por sua Santa Palavra, nos converta e santifique, a fim de vivermos uma vida com Deus neste mundo e na eternidade. Assim sendo, em todas as vocações, situações e dimensões da vida, queremos viver, ser agir segundo o Reino de Deus. Esse é o sentido do orar ?Venha o teu Reino?. Todos os reinos, nações, tribos e raças, são de Deus. E toda autoridade e governo dele procedem. ?Deus está sentado no seu santo trono; ele reina sobre as nações?, escreve o salmista. Ensina o apóstolo Paulo que ?não há autoridade que não proceda de Deus; e as autoridades que existem foram por ele instituídas?. Ou seja: Deus delega poder e autoridade aos homens para administrar e zelar esse espaço de seu Reino em que vivemos, o planeta Terra. Como aconteceu no princípio, lá no Éden, Deus não apenas dá autoridade, mas delega tarefas e cobra responsabilidades. Deus, no entanto, continua sendo o Senhor e Rei. Por meio do governo civil, Deus tenciona tornar possível aos homens conviverem em paz, segurança e dignidade. Cabe, por isso, aos governos proteger a vida, a propriedade, a honra e a reputação do povo, garanti-los em suas ocupações e na fruição de suas liberdades, e preservar a ordem e a disciplina e, para tal, punindo os que transgridem a lei. É também dever e da vontade de Deus que os governantes empenhem-se em atividades que promovam e assegurem o bem-estar geral do povo, tais como educação dos cidadãos, conservação dos recursos naturais, a melhoria de situações adversas e de sofrimento, melhorando as condições de vida em geral. A forma de governo é determinada pelos homens. O que importa é que seja quem for o governante, de que partido for, governe segundo os princípios do Reino de Deus.