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Luiz Ferreira, presente!

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Em um dos sonetos de Camões de que Luiz mais gostava, o do verso ?Sete anos de pastor Jacob servia...?, cantava-se a lealdade amorosa, ?a vida na esperança de um só dia?, a persistência do Amor em meio a intempéries da vida. Na esperança de melhores dias para sua cidade natal, Anadia, em Alagoas, Luiz Ferreira, sem saber, acabou dando a própria vida, enredado numa trama trágica em que foi enganado por pessoas de seu convívio político na cidade que tanto amava, enquanto exercia o segundo mandato de vereador e estava sendo cotado para ser o prefeito do município. Pessoas a que ele deu assistência como médico, cuidando de suas dores e feridas e aliviando seus sofrimentos, traíram-no covardemente e o atacaram levando-o à morte. Pessoas que sentaram com ele à mesa para partilhar o convívio de sua família, o alimento físico e afetivo, tudo que representava para ele e para nós, sua família, encontro de mentes e espíritos solidários; essas pessoas o assassinaram em uma emboscada que feriu a ele e a todos nós que o amávamos. Mesmo desconfiando dos crimes que seus colegas políticos pareciam cometer às escondidas, mesmo tendo conhecimento da disputa pelo poder, nunca acreditou que sua vida corresse risco! Temos certeza de que, se assim desconfiasse, teria optado pela vida, mesmo sendo um apaixonado pela política. Também nunca acreditou que, no momento em que confirmasse suas suspeitas e denunciasse crimes ou armações, essas pessoas fariam de tudo para calá-lo. Acreditava estar lutando por justiça social para um povo tão sofrido. Nós, de seu núcleo familiar mais íntimo, não gostaríamos de ano após ano ter essa marca tão doída, quase física de tão lancinante, do episódio de 3 de setembro. Gostaríamos de lembrar apenas as coisas boas, a pessoa doce, amorosa, divertida, responsável e comprometida que era, pois, assim como era com sua família, era também com as pessoas de seu convívio social, profissional e político. Esses sete anos não podem ficar esquecidos na memória dos cidadãos, pois foi um crime político em que um cidadão honesto e amoroso, imbuído de valores de positividade, foi assassinado cruelmente por não concordar com as armações e crimes da então prefeita da cidade, que se encontra em prisão domiciliar com tornozeleira em sua cidade natal, ainda aguardando julgamento com mais dois comparsas que executaram o crime. Ao total, foram seis pessoas acusadas. Três delas já foram julgadas e condenadas. A prefeita e mais dois estão aguardando julgamento. Essas mesmas pessoas covardes continuam lesando qualquer valor de honra e decência, fazendo-se passar por pessoas honestas. Continuam a enganar as pessoas como se fossem perseguidos políticos. Acontece que a história não é feita apenas pelo que se fala, é feita de fatos. Sabemos perfeitamente o que são pessoas perseguidas politicamente, como vimos no momento sombrio da ditadura militar, como vemos hoje também em situações políticas. E sabemos que não combina com nada disso pessoas que enriquecem com dinheiro público, que fazem de tudo para não largar o poder, que contratam assassinos de aluguel quando encontram oposição aos seus planos. Para a sociedade, a impunidade é tão violenta quanto o próprio crime! Sete anos não são sete dias! A justiça, nesse caso, não é só para nossa família, é para a sociedade, a sociedade anadiense em especial. Para a família o esclarecimento, o julgamento e a condenação dos criminosos é um dever do Estado. A dor da saudade permanecerá sempre em nossos corações e junto com as melhores lembranças daquele que tanto amamos. Mas as piores lembranças daquele dia, há 7 anos atrás, não conseguiremos apagar. Lembrar esse triste dia não é somente um desabafo familiar, mas é, sobretudo, um pedido à Justiça para que fique vigilante e recuse a impunidade para que outras famílias não sofram como ora sofremos e não passem pelo que dolorosa e tragicamente passamos. A dor pela ausência de Luiz constitui um sofrimento que integra nossa história, mas nos ensina a continuar sua luta.

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