Opinião
Museu Nacional em chamas
O Brasil acompanhou domingo a agonia do principal museu do País, o Museu Nacional, entidade com acervo que o incluía entre os mais importantes do mundo na sua categoria, ciências naturais. O incêndio, iniciado às 19:30, se alastrou ala por ala do prédio sem que os bombeiros tivessem sucesso no combate. Resultado, entre outras variáveis, da falta d?água para combater as chamas que destruíam 200 anos de preservação, de história e de importância impar para o País. Para quem viveu anos no Rio de Janeiro e tinha o hábito de incluí-lo no roteiro de visitantes, por considerá-lo exemplo de beleza arquitetônica e de acervo, doeu acompanhar a destruição de um prédio histórico que foi residência oficial no período imperial do Brasil, depois transformado no museu mais importante do País ser destruído, por incêndio, decorrente da falta de manutenção e cuidados. Como se sabe, foram destruídas cerca de mais de 20 milhões de peças. Coleções importes sobre arqueologia, botânica, biologia, etnologia, coleção greco-romana, egípcia, entre outras. Estava lá o fóssil humano mais antigo do Brasil, com mais de 10 mil anos, batizado de ?Luzia?. Lá, também está o maior meteorito encontrado no Brasil, um dos maiores do mundo. Nas idas ao museu, o olhar de engenheiro civil, sempre chamou a atenção a falta de cuidados com manutenção revelados em salas fechadas, fachadas em ruínas e restrição de espaços destinados a visitação. Situação que, infelizmente, é comum a estruturas públicas espalhadas País afora. Com o incêndio, teremos a costumeira comoção, soluções milagrosas e anúncios de projetos para, no fim, tudo ficar como antes. Tem sido assim quando o pior acontece. A tragédia do Museu Nacional também mostra o colapso do País em relação à gestão pública, ao ficar patente a falta do básico para o combate ao incêndio, a água que só foi suprida três horas após o início do desastre. É, pois, o somatório do descaso de governantes das esferas municipal, estadual e federal no que diz respeito ao cuidado com a arte e cultura do País.