Opinião
A Vila real do Poxim
No livro de tombo II pg. 28, há um registro que se refere ao Poxim como Vila Real do São José do Poxim. Um povoado para obter o título de Vila Real precisava à época receber esse título da chamada ?Mesa Real?, dado diretamente pelo rei que exercia sobre este uma certa tutela. Os habitantes da Vila Real tinham por maior preocupação a fidelidade ao seu rei e ao seu serviço quando chamados. É bem possível que isso venha a explicar a quase nula participação da população em revoluções eclodidas em Pernambuco, em 1817, A Revolução Praeira, em 1824, a Confederação do Equador e em 1831 a Novembrada, com a participação dos índios de Jacuípe, mas sem muito reflexo na região do Poxim. Há notícias de que na revolução de 1817 um cidadão de nome Antônio Leão foi esquartejado em Jequiá por Antônio Pedro, mas nada se refere ao Poxim. Há outras notícias que Manoel Jesus do Poxim foi preso nesta vila e enviado algemado para Salvador por ocasião da revolução de 1817. Este indivíduo ficou preso até 1821, quando houve a anistia geral dos revolucionários. Há uns testamentos encontrados no Poxim, nesta época, que merecem registros: Em 1827, faleceu na Vila do Poxim a dona Antônia do Carmo e deixou registrado seu testamento, com informações precisas sobre o Poxim da época. A falecida, no testamento, começa por se recomendar a Deus dessa forma: ?Recomendo minha alma à Santíssima Trindade que a criou, e rogo ao Senhor Jesus que pelo seu sangue derramado na paixão, perdoe todos os meus pecados?. Em seguida pede ao marido, José Vaz Machado, que cumpra sua vontade como testamenteiro. Determina que os sacerdotes que estiverem no Poxim no dia de sua morte celebrem rituais fúnebres e digam a missa do sétimo dia, visitando a sua cova. Enumera ainda as pessoas as quais deixa bens, joias, ouro, prata e dinheiro. Deixa uma gorda quantia em dinheiro para celebração do novenário de S. Benedito da Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos do Poxim. Estabelece ?que meu corpo será sepultado na minha matriz, das grades para cima e será acompanhado pelo meu vigário e sacerdotes presentes?. Deixa como herdeiro o marido e para cada irmã 10$000. ?Por não saber ler nem escrever, roguei ao Tenente Antônio Coelho da Silva que tudo mais escrevesse por mim?. Se percebe que se trata de pessoa de grandes posses e importância social e com enorme prestígio na Igreja. O fato de ter sido enterrada na matriz, das grades para cima, isto é, nas imediações do altar-mor, revela um privilégio muito grande para a época. Há ainda uma carta de alforria que merece destaque, que, em 1798, no Poxim, foi feita pelo Sr. Amaro Dantas Barbosa em favor de um escravo de nome Domingos, nesses termos: ?Por fragilidade humana tive em uma escrava minha parda de nome Thereza, um filho que mandei batizar, pondo-lhe o nome de Domingos. O qual não reconheci logo por temer as contas que devo dar ao Nosso Senhor Jesus Cristo e ainda por não ter a certeza da paternidade e por respeito aos meus parentes. Agora que me vejo entrando em anos, para desembargo de minha consciência, faço essa carta de alforria de meu próprio filho, impedindo que outra pessoa queira provar o contrário e queira ter direito a minha fazenda.