Opinião
O que é o futuro?
Cheguei ao crepúsculo da vida e não descobri o significado de futuro. Vejo que mesmo no primeiro quartel do terceiro milênio, em que a ciência e a tecnologia têm avançado tanto, a humanidade não parece ter saído da idade média. Razão pela qual nos debruçamos sobre os mesmos problemas que afligiam Santo Agostinho em 410 d.C., após o saque de Roma, por Alarico, o Rei dos Visigodos: o sectarismo. Às vezes me pergunto o que somos como parte de uma população planetária que comunga do mesmo espaço? Será que não temos igual essência? Ou não somos o que aprendemos como um ser social? São perguntas que consomem a minha mente diante do cenário de barbárie em que vivemos hoje no Brasil. Simplesmente criamos uma polarização com o pensamento ideológico de um sistema agressivo e assustador. Não há, em hipótese alguma, possibilidade de uma mediação. É tudo ou nada. Saímos da fase de ?integrar para não entregar? para o ?acabar para não entregar?. O País está se destruindo pelo ódio, rancor e ressentimentos. As nossas crenças nos afastam dos nossos melhores amigos. Hoje li com profundo pesar a frase no Facebook: ?Pobre de direita é como barata fazendo propaganda de Baygon.? E quem não se alia a partido algum é o que? É direita por osmose? Quanto tempo durou a ideologia de que o povo judeu matou Jesus Cristo? O mundo atual não é diferente. Essas ?verdades absolutas? são plantadas de tal forma que não há espaço para discussão. Quem não está comigo é contra mim. Quantos ditadores não já disseram essa frase? E, não me refiro apenas às ideologias, até as religiões estão na mesma paridade com a política. Hoje, não se constrói a salvação através da santidade de uma vida, mas do imediatismo de algumas igrejas evangélicas cujas promessas mais se assemelham às Indulgências do século 16. Seus fiéis carregam o fundamentalismo bíblico, igualmente aos xiitas muçulmanos. Pior ainda é a exploração pecuniária da desesperança humana. Somos hoje um País arruinado, onde o trabalhador foge pela falta de emprego provocada pela crise econômica. Portugal, atualmente, é o principal destino de brasileiros desempregados. Partem como turistas e não retornam. Pelo menos 500 pessoas entram toda semana. Destas, menos da metade volta para o Brasil. O restante vai tentar a sorte em subempregos que mal permitem pagar um lugar pra dormir. Não sei por que diabos Stefan Sweig achou de apelidar o Brasil de ?País do Futuro?? O futuro no Brasil é uma metáfora verde de tamanho superlativo que encanta os desavisados. Seu povo é desdenhoso de si mesmo e enaltece tudo o que é de fora. Eis um País que odeia seu próprio idioma, seu regionalismo continental, sua diversidade cultural, sua História e faz pouco caso de sua própria mestiçagem.